E lá se vão as 16 primeiras semanas

Diria que muito pouco mudou da semana passada para esta. Talvez a principal diferença seja que eu sinto muita falta de dormir de barriga pra cima. Tanta falta, que às vezes acordo no meio da noite nessa posição.

Após minha primeira gestação fiquei muitos anos sem conseguir dormir de bruços, que costumava ser minha posição preferida pré-maternidade. Não sei porque, mas ficar de bruços se tornou super desconfortável, doía as costas, o pescoço… Aí comecei a apreciar dormir de costas, com os braços pra cima da cabeça, feito bebê, sabe? Era como eu relaxava. Mas agora, cada vez que me pego nessa posição, quase pulo da cama no susto. Deitar, somente de lado, de preferência sobre o lado esquerdo – regra de ouro que toda grávida conhece. Mas gente, que coisa mais inconveniente. Lembro bem que após a gestação do Nick, fiquei com o quadril achatado do lado esquerdo, de tanto que dormi daquele lado. E desta vez não será diferente…

O pior é que já começo a sentir o corpo incomodado durante a noite. Acordo várias vezes para mudar de lado e, confesso, na transição, dou uma paradinha de um minutinho de barriga pra cima.

Fora isso, diria que estou um pouco mais preocupada desde a última consulta, quando fiquei meio bolada com o perfil do bebê. Ah, sei lá, pode ser cisma, mas o perfilzinho dele me pareceu diferente, o nariz meio que emendando no lábio superior, o maxilar superior proeminente… Mas como a dona mocinha da ultra não comentou nada, disse que tava tudo normal, talvez seja só apreensão normal de grávida. Oremos pra que seja só isso mesmo.

Sábado temos uma festa de Halloween – só pra adultos! Será a primeira vez na vida que deixamos os meninos com uma babysitter. A primeira vez na vida! Nem sei o que fazer? A moça que vai ficar com eles é a mesma moça filipina que vem uma vez por semana para limpar a casa. Ela trabalhava para uns amigos como cleaner/babysitter, é muito boazinha… estou bem tranquila com relação à pessoa, mas sem saber como os meninos se comportarão. Será que vão arrumar encrenca? Será que vão ficar acordados até chegarmos? Será que vão tocar o terror? E se tocarem, será que ela vai ter moral com eles? Ai ai…  Só queria não ter que ficar checando o telefone a cada 10 minutos, queria que nossa primeira night out na Coreia as a couple fosse relax. Será? Quem viver verá! 😛

as 15 semanas

A pança segue crescendo num ritmo insano. O umbigo operado da hérnia causada pela gestação anterior ainda não pulou pra fora, mas não sei quanto tempo vai aguentar, já tá quase flat.

Minha mãe, vendo uma foto da barriga, me pergunta: “você não vai deixar sua barriga ficar do tamanho que ficou da última vez, não, né?”. Eu ri, rsrs.

Como se eu tivesse algum controle sobre o crescimento desenfreado da pança!

Nas duas gestações anteriores, ganhei 16 Kg – o que dizem ser normal – e fiquei com uma barriga monstro. Tá certo que eu comia muita porcaria, enterrava a cara no chocolate, comia leite condensado de colherada (quanta ignorância!), mas fazia isso sem estar grávida também e nunca tive problemas com a balança. Acho que estar grávida já te faz, naturalmente, acumular gordura – só pode! Ou então desacelera o metabolismo… Só sei que não estava esperando uma pança tão grande desta vez, mesmo porque, eu não como mais as porcarias que eu comia, minha alimentação é outra, mudou da água pro vinho – ou deveria dizer do vinho pra água?

15 weeks

Ainda assim, aqui estou eu, com medo do tamanho que vou ficar, passando óleo pelo corpo 3 vezes ao dia e pensando se um dia voltarei a usar biquini. Tá, não fico pensando nisso, mas vez por outra, especialmente quando passo em frente a um espelho, esses pensamentos passam pela minha cabeça. Coisas de grávida, né? Quem nunca?

A balança me avisa, “já são 58Kg, querida!”, o que significa que ganhei 2Kg nas últimas 4 semanas (aquela média de 1/2 Kg por semana que eu havia comentado). So far so good, em tese, tô dentro do esperado, porém, o esperado é que eu ganhe mais peso do que eu gostaria de ganhar, então, “te cuida, malandra, porque sua batata tá assando!”.

A verdade é que eu tô com um problemão, tô entre a cruz e a caldeirinha. Se eu como bastante e com intervalos curtos, me sinto ótima, já se não faço dessa maneira, fico enjoada. Controlar o peso e me sentir miserable, ou seguir comendo como se não houvesse amanhã para evitar o enjôo?

O fato é que  desde que entrei no segundo trimestre (e comecei a ganhar peso) quase não como besteira, somente vez por outra sinto vontade de comer um doce ou um pedaço de pão. De um modo geral, como comida mesmo, no café da manhã, almoço e janta. Como também muitas frutas (as mais calóricas, claro). Suspeito que meu maior problema seja o preparo da comida. Ainda não fiz as pazes com a salada verde e também não tem me atraído comer grelhados. Como refogados, ensopadinhos, mexidinhos… tudo feito com ingredientes frescos, mas bem temperadinho, às vezes até bem apimentadinho – nem sei como a azia ainda não atacou! Às vezes até sinto uma azia de leve, mas nada grave como nas gestações anteriores. Oh well, melhor nem ficar falando, vai que ela resolve dar as caras! Pela minha experiência, uma vez que ela aparece, só vai embora quando hóspede é despejado, rs

Depois de amanhã será minha última consulta com meu médico atual no Samsung Hospital, a consulta das 16 semanas e segunda parte do tal do exame que idêntica possíveis alterações cromossômicas. Frio na barriga pouco é bobagem.

Fora tudo isso, a novidade é que Nickito, que andava super comportado (dentro dos limites da personalidade dele, claro), tem dado ataques horrorosos nos últimos dois dias. Uma gritaria, uma choradeira, um estresse que se ouve da rua (imagina os vizinhos do prédio?). Não sei como ninguém chamou a polícia ainda, porque parece que ele está sendo atacado. O pior é que, num certo ponto do ataque, ele cai na real por si só e vem pedir desculpas chorando. E aí, quando você pensa que o show acabou, ele começa novamente! Uma coisa do outro mundo. Acho que vou providenciar um banho de sal grosso e outro de ervas – dizem que faz bem e eu tô topando tudo para acalmar os ânimos do bichinho. Pena que aqui não tem rezadeira, senão eu já estaria lá.

O último outono Coreano

Parece nome de romance, né? Mas é apenas um post, uma homenagem a essa época do ano que se tornou uma das minhas favoritas (juntamente com a primavera) durante esses anos de Coréia.

A luz, as cores, a temperatura amena, o ar mais puro, as paisagens naturais de Seul e o caqui docinho e baratinho fazem desta estação uma das épocas mais encantadoras do ano. O outono Coreano estará para sempre entre minhas mais doces memórias e eternizado em meu coração.

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Na última sexta, após deixar os meninos no colégio e o marido no trabalho, voltei pra casa e, apesar do cansaço, reuni o restinho de energia que habitava meu corpo e, após tomar meu café da manhã, fui dar uma caminhadinha na montanha.

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O dia estava tão lindo e o ar tão puro, que estava impossível resistir. O plano era ir até onde meu corpo permitisse, o que eu achei que não fosse ser longe, já que na primeira subida, quase desmaiei de falta de ar (medo! isso nunca aconteceu na vida!), mas fui pegando o ritmo e muito embora estivesse bem enferrujada depois de mais de 3 meses sem fazer absolutamente nada, mesmo sentindo uma dorzinha chata na virilha esquerda, não conseguia pensar em dar meia-volta, segui caminhando, ouvindo os pássaros e apreciando as diferentes paisagens ao longo da trilha. Pela primeira vez, eu que sempre tirei de letra esses 9 km ao redor da montanha, tive que fazer mini paradas estratégicas para recuperar o ar, mas nenhuma das vezes quis voltar. Cheguei a levar comigo, além da garrafa d’água, algum dinheiro, para no caso de alguma emergência ter que sair da trilha e chamar um taxi, mas não, fui do princípio ao fim curtindo minha caminhada de outono. Cheguei em casa 2 horas depois (nunca levei tanto tempo para completar essa volta!) completamente faminta! Providenciei um almocinho esperto e sentei para meditar. Nisso já era hora de buscar os meninos no colégio – impressionante como o dia não dá pra nada! Mas mais impressionante que isso é como me faz bem essa caminhada nesse clima gostoso de outono.

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No sábado, inspirada pela delícia que foi a voltinha na montanha na sexta, sugeri de irmos dar uma voltinha num dos parques do World Cup Complex que fica relativamente perto de casa.

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Como de costume, demoramos pra sair de casa e acabamos pegando um certo trânsito. A gente não sabia, mas tava rolando um festival no parque, então estacionar o carro foi uma aventura. Após muito rodar e quase desistir, encontramos uma vaguinha no estacionamento do mercado. Ainda bem que não desistimos, porque o dia estava realmente lindo, teria sido um desperdício.

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Os meninos não estavam de muito bom humor não, especialmente o Vivi, que ficou “na dele” o tempo inteiro. Nickito, reclamou um pouco no começo, porque viu alguns pombos (ele tem pavor de pombos) e cachorros (idem), mas logo se encantou pelas paisagens, se desculpou pela birra e foi tirar fotos. Vivi se manteve insatisfeito. Preferia ter ficado em casa, jogando sua hora de videogame online com os amigos. Fiquei chateada por ele se recusar a aproveitar o dia, mas não o culpo, já tive onze anos…

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No fim das contas, apesar das birras, foi uma tarde bem gostosa. Ainda bem que saímos de casa. Especialmente porque, muito provavelmente, fim de semana que vem a temperatura já estará bem mais baixa.

Ai, ai… já estou com saudade do outono coreano…

Breaking News! And something else that is bugging me…

Este será nosso último outono Coreano.

Pois é, após dois anos aqui, apesar de Seul ter entrado em meu coração de uma maneira que eu jamais pensei ser possível, a poluição, a distância do Brasil, o inverno longo demais, a dificuldade de comunicação e a tortura que é encontrar comida “normal” no mercado, resolvemos que era hora de procurar nossa próxima parada.

Desta vez, de maneira inédita, em vez de atirar para todos os lados, focamos onde gostaríamos de ir.

Austrália?, você me pergunta. Não, infelizmente, o sonho de voltar para Aussieland continua em standby. Acho que um dia a gente até volta, mas não agora. Agora precisamos focar num lugar mais próximo da família, mais acessível, mais quentinho o ano todo.

Após mergulharmos no turbilhão de emoções que foi o processo de aplicação/entrevista/visita/oferta, maridinho teve uma proposta irrecusável da University of South Flórida. Isso aí! Tio Sam, estamos voltando.

Voltando para fechar o ciclo que iniciamos há quase 15 anos, quando nos casamos e mudamos. Voltando para enfim comprar nossa primeira casa e experimentar uma vida menos móvel, mais fixa, mais enraizada. Claro que em se tratando da nossa trupe, nada é definitivo e só Deus sabe quanto tempo ficaremos por lá, mas uma coisa é fato: será uma grande mudança de “pace” em nossas vidas. Aliás, tudo em 2019 nos obrigará a mudar nosso ritmo, rs

Maaaaas nem tudo são flores e apesar de eu estar bem contente por estar tudo caminhando bem, foi só eu começar a pesquisar sobre a vida naquelas bandas para descobrir que a Flórida é o paraíso… da baratas – e não sei se você sabe mas eu tenho pavor de baratas! Pavor daqueles grandes mesmo. Só de pensar, me arrepio dos pés à cabeça. Não sei lidar!

E sendo assim, meu sonho de comprar aquela casa da década de 50, 40, 30… foi pelo ralo. Imagina se há a menor condição de comprar uma casa antiga, mesmo que renovada, numa terra onde as baratas imperam?  Terei que me render àquelas casas novas, recém-construídas que, muitas vezes, contam com “features” de gosto bastante duvidoso. Fazer o que? É isso ou morar com as baratas e sendo assim, que venha a cafonice! rs

Mas não vou começar a reclamar, porque eu ainda nem cheguei lá, ainda estamos gestando esta mudança, temos bem uns 8 ou 9 meses até embarcarmos em direção à terra quente e úmida das laranjas e baratas – aliás, para desespero do marido, o bicho lá pega! E não tô falando das baratas, mas do combo calor-umidade. Parece que o caso é sério. Em pleno outono, à noite faz cerca de 35 graus. Pode isso? Meus informantes locais dizem que não dá nem pra caminhar, tamanha é a quentura e a umidade. Meu Rio 40 graus fica até fresquinho se comparado à Florida.

Oremos.


PS. Pela primeira vez na vida, tive um pensamento completamente nada a ver comigo. Pensei que depois de 3 anos por lá, poderíamos nos “aventurar” numa college town, numa dessas cidades que têm as quatro estações bem definidas, com inverno de verdade, aquele que mata as baratas. Nem eu tô acreditando que tive esse pensamento… O pior é que ele não foi embora. Viu que eu realmente tenho pavor de barata, né?

Os 11 anos do Vivi

Dia 11 foi dia dele, meu primeiro filhote, minha cobaia, meu “e agora?”.

São onze anos de vida do meu primogênito, onze anos de maternidade. Onze anos desde que minha vida ganhou um novo sentido. Onze anos desde que meu coração começou a bater fora do meu corpo.

Eh… são 11 anos de vida, mas eu olho pra ele e ainda vejo aquele molequinho sapeca e gritalhão que sempre deu seu jeito de chamar atenção.

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Hoje, ele não precisa mais gritar, chama a atenção com sua personalidade cativante, seu jeito simpático e outgoing de animador de torcida. Esse aí não passa despercebido, sempre encontra um holofote onde quer que vá. A quem ele saiu? Sei lá! Saiu a ele mesmo, I guess 🙂 Sempre falastrão, ele faz amigos em qualquer lugar, de qualquer idade e com uma facilidade e naturalidade impressionantes. Uma figurinha rara, um rapazinho cheio de energia que, muito embora não seja dado aos estudos, tem se mostrado bem disciplinado e colhido os bons frutos de sua dedicação, o que deixa a mamãe aqui toda orgulhosa e com aquela sensação maravilhosa e aterrorizante de quem vê o filho crescer e começar a criar asas.

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E o tempo que não perdoa, passa e leva os melhores momentos, deixando apenas as lembranças e a saudade. E quanta saudade eu sinto do Vivi bebê, do toddler… Quanta saudade do tempo em que ele vinha do parquinho chorando e me pedindo que fosse lá fora “resolver a parada”. Que saudade de quando a “parada” era fácil de resolver, rs.

Até quando eu poderei acordá-lo de manhã para ir pro colégio? Até quando ele fará questão do abraço de boa noite? Até quando vou precisar mandá-lo arrumar o quarto, tomar banho, escovar os dentes? Até quando ele vai trocar de roupa (furioso), porque eu simplesmente disse que “desse jeito você não sai comigo!”? Ah… vou sentir saudade de tudo isso!

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Mas o post de hoje não é para lamentar um ano a menos de infância mas para celebrar mais um ano de vida desse molequinho que me fez mãe e que está se transformando num adorável rapazinho, um carinha que, eu tenho certeza, ainda vai cativar muita gente.

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A ele, dedico meu amor, o meu primeiro amor de mãe.

Feliz 11 anos, meu eterno baby Bo. Mamãe te ama daqui até o infinito.

Como de costume, além do bolinho no dia do aniversário, tivemos a festinha na sequência. Este ano, ele só quis chamar seletos amigos da escola. Íamos, a princípio, fazer a festinha em casa, como foi a do Nick – metade no parquinho, metade em casa, maaaaaas, ainda bem que tivemos a presença de espírito de mudar os planos e transferir a festa pro parque. Seria uma verdadeira loucura ter essa molecada grande tocando o terror em nosso humilde apErtamento. Primeiro porque o espaço é limitadíssimo e segundo porque, verdade seja dita, metade dos amiguinhos do Vivi são coreaninhos riquinhos, mimados e mal educados. E como nosso apartamento inteiro deve ser do tamanho da sala de TV de alguns deles, para evitar aborrecimentos, melhor não misturar as estações.

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Mas deu tudo certo no fim das contas. Mais uma festinha improvisada, desta vez, no parque, num dia maravilhoso de outono com céu lindo e temperatura perfeita.

O tema escolhido pelo nosso pequeno dork foi The Flash – onde foi que eu errei?!

Anyway, Vivi é, oficialmente, um molequinho de onze anos! Como o tempo voa, meu Deus!

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A festinha ao ar livre, bem estilo Aussie, foi fenomenal! A criançada brincou até a exaustão! Mas o melhor foram os coreanos passantes que paravam para olhar de perto, tirar foto e elogiar. Adultos e crianças ficavam encantados. E olha que estava tudo extremamente simples. Mas acho que curtiram o formato “novo”.

E assim encerramos a temporada de aniversários do ano. Festinha de novo só ano que vem.

E lá se foram 14 semanas

O gosto amargo na boca permanece, mas os enjôos passaram de vez, a pança segue crescendo numa velocidade estonteante e eu, às meras 14 semanas já começo a perder a elegância no andar. Já pareço a dona pata.

Não tem mais como esconder.

Ainda não contei a novidade pra todo mundo (aqui, só três amigas sabem), mas se alguém perguntar, não terei como negar. Tô achando que meu plano de só tornar a novidade pública aos 5 meses vai falhar, afinal, ainda faltam 6 semanas e na velocidade que minha barriga vem crescendo, só dá pra esconder se eu me mantiver escondida, rs

Esta semana entrei em contato com uma clínica especializada em parto natural (mas que também faz cesariana, caso seja necessário), onde médicos e midwives falam inglês. A clínica é suuuuuper bem avaliada por locais e estrangeiros, aliás, é a queridinha dos expatriados. Troquei alguns emails com eles e fiquei tão aliviada, me sentindo tão mais segura e amparada, que parece que tirei um peso das costas.

Ainda farei a consulta das 16 semanas no Hospital onde venho sedo acompanhada, mas a partir da vigésima semana, as consultas serão um pouco mais distantes, láaaaa em Gangnam – há quase uma hora de casa – mas sinto que valerá a pena.

Claro que se o serviço muda pra melhor, o preço também muda, só que pra pior, rs. Infelizmente o pacote numa clínica especializada é bem mais alto que num hospital comum. Se eu estivesse na Australia, ou nos EUA, dificilmente escolheria uma clínica assim, mas estando na Coréia, onde tudo é tão diferente, acho que o investimento é mais do que válido, é necessário.

Mas baby steps. Semana que vem, ainda verei meu médico atual e farei a segunda parte do exame que identifica anomalias cromossômicas. Frio na barriga define.

Mas vamo que vamo. Fé em Deus e pé na tábua.

as 13 semanas, a comilança e a constante sensação de vazio no estômago

Eu passei a maior parte da minha vida sendo aquela pessoa que come muito, mas muito mesmo (e não engorda de ruim, dizem) e, talvez por comer muito, dificilmente me sentia faminta, muito raro mesmo.

Há cerca de 3 anos, não sei se por causa da idade, da reeducação alimentar, ou das duas coisas, passei a ser aquela pessoa que come bem, mas não consegue mais se matar de comer. Há mais ou menos um ano, parei de me forçar a tomar café da manhã – nunca gostei de comer de manhã – mas passei também a comer antes da fome chegar com tudo.

Agora, grávida pela terceira vez, estou experimentando uma novidade: depois que os enjôos matinais amenizaram, já acordo com fome e duas horas depois de comer, já estou com fome novamente. Preciso comer constantemente para não ficar enjoada. Se começo a sentir vontade de comer e, por algum motivo, não como, o enjôo ataca com tudo, me dá até ânsia de vômito (tenho passado por isso quase todas as noites). Sinto também algo que nunca havia sentido na vida: um buraco no estômago, um vazio, uma necessidade real de comer. Pena que depois de comer, invariavelmente, minha boca amarga horrores.

É como se meu corpo, ou meu hóspede, ficasse me regulando pra mandar alimentos pra dentro. E nessa, tem dias que são, só de frutas, 2 kiwis, 3 caquis e 2 bananas. Só não como mais porque me resta alguma consciência.

Durante o período de enjôos mais fortes, não sentia vontade de frutas, nem vegetais, nem nada saudável, Sö queria comer doce e massa, um horror! Até acumulei gordurinhas laterais, coisa que eu não via há bastante tempo. Agora, que os enjôos são bem menos frequentes, já não me sinto mais atraída pelos doces e massas, já voltei a desejar comida de verdade, mas ainda exagero nas frutas docinhas, especialmente meu amigo caqui (é com muita vergonha que digo que em dias de maior desejo, como 5, um atrás do outro, sem levantar). Descontrole é meu sobrenome. Deus me proteja da diabetes gestacional!

Mas apesar de toda essa comilança desenfreada, a balança ainda não está muito movimentada. Na consulta das 12 semanas, pesei quase 56Kg – 2 Kg a mais do meu peso das férias – , já hoje, às 13 semanas, voltei pros 55Kg. Estranho… Minha pança parece estar crescendo, assim como os airbags, mas a balança não parece estar acompanhando. Será que está com defeito? Ou será que o bebê não está crescendo como deveria? Estresse.

Em tese, durante o segundo trimestre, eu deveria ganhar meio Kg por semana, ou seja, em minha próxima consulta, das 16 semanas, deveria estar pesando 58Kg. Vamos ver o que acontece.


Em tempo: hoje senti a enorme alegria de, finalmente, vestir um sutiã do tamanho certo. Os meus estavam me matando. Sentia até dor de cabeça. Agora estou leve, na medida certa – porém, algo me diz que não por muito tempo.

Chegou a hora!

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A primeira foto da barriga, às 12 semanas –  tá totalmente fora de foco, mas evidencia a gravidade da pança

Chegou a hora, vamos lá! Senta porque a notícia é quente!

O clímax da novidade já passou faz tempo, mas a insegurança me fez conter o impulso de compartilhar com a família e os amigos, me fez esconder do mundo e até dos filhotes a surpresa que a vida (e nosso descuido – porque convenhamos, acidentes não acontecem!) nos proporcionou.

Estamos a espera do nosso terceirinho – não é piada, pode acreditar! – estou gravidíssima, com uma pança responsa, apesar das 12 semanas apenas (aparentemente, meu corpo entendeu rapidinho que precisava abrir espaço pro recém-brotado inquilino). Bebezinho número três é o souvenir que trouxemos das nossas férias no Vietnã.

É uma gravidez de alto risco, visto que além de quarentona, tenho síndrome de Sjögren, uma autoimune maleta que me acompanha e me conduz entre altos e baixos desde 2013. E, sendo uma gravidez de risco, tudo é muito frágil, tudo pode mudar de uma hora pra outra, tudo pode acontecer.

O mais provável é que, dado o meu histórico, nenhum médico aqui na Coreia queira arriscar um parto natural, então a probabilidade maior é que eu tenha que marcar uma cesariana, o que é muito estranho… como assim? Não entrarei em trabalho de parto? Mas, sinceramente, este (não entrar em trabalho de parto) é meu menor problema, meu medo mesmo é o que uma cirurgia (e o pós cirúrgico) pode desencadear na minha autoimune, meu medo é como eu ficarei no pós parto. Terei um flare up muito forte? Conseguirei produzir leite, dadas as limitações do Sjogren? O bebê será afetado de alguma maneira pela minha auto imune?

São muitas questões, muitas preocupações com relação não somente a minha saúde, mas especialmente a do bebê. Mas contrariando todas as minhas próprias expectativas, não estou nervosa. Apreensiva, sim, nervosa, não. Estou levando um dia de casa vez, pensando apenas no futuro próximo, no máximo na próxima semana, nada além disso.

Eu, definitivamente, não passo os meus dias pensando em tudo o que pode dar de errado, até porque, so far so good. Bebezinho número 3 está bem e crescendo direitinho. Não tive sangramentos, mas fui premiada com um mal estar/enjôo constante e um cansaço que me impede de ir até a esquina sem voltar exausta. Meus cabelos caem horrores (minha ferritina deve estar “na chon”), minha roupas apertam, meus peitos não cabem mais nos sutiãs e minha balança começa a indicar um aumento no peso.

Ontem no fim do dia, contamos pros meninos a novidade e estou finalmente colocando públicos os posts que venho escrevendo no modo privado durante esses últimos três meses.

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Demos a notícia de uma maneira não muito convencional e, claro, gravamos para posteridade – o vídeo está aqui :). Eles, que não desconfiavam nada, acharam que estivéssemos gravando  o primeiro vídeo do “nosso canal” (aquele que não existe, mas eles queriam que existisse, rs). Enfim, serviu de desculpa para registrarmos as reações deles – pena que a bateria acabou antes de conversarmos com eles em frente à câmera…

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Vivi, ficou em êxtase, uma alegria, uma euforia que eu só lembro ter “visto” uma vez, quando meus pais me contaram que eu teria uma irmã.

Já Nickito não acreditou… não acreditou mesmo. Levou bem uns dez minutos depois de terminado o vídeo pra ele entender que não era brincadeira, que aquelas imagens não eram dele e do Vivi, que eu estava grávida de verdade. Quando ele finalmente viu que eu não tava brincando, desandou a chorar compulsivamente. Me abraçava e chorava um choro desesperado.

No começo, achei que fosse porque ele não querer outro(a) irmão/irmã (o que começou a me desesperar), afinal, perderia o posto de baby da família (sim, aos 8 anos, ele ainda diz que é meu bebê <3), mas após muitos soluços e cara inchada, conseguiu contar porque chorava tanto: não era tristeza, tampouco alegria, era medo, desespero de algo dar errado.

Nickito é, sempre foi, um serzinho muito sensível e pensativo e do alto dos seus 8 anos, sua reação foi pensar, instantaneamente, em tudo o que poderia dar errado, dado que sua mamãe não é mais uma garotinha.

Em outros momentos, há alguns anos, quando falamos sobre a possibilidade de encomendar mais um membro para nossa família, expliquei pra eles que não era tão simples assim, porque a idade e o fato de eu ter essa auto-imune maluca poderiam colocar em risco a saúde do bebê. Expliquei que era muito comum acontecer abortos espontâneos, ou, pior, a criança nascer com algum problema sério de saúde. Desde então, ele nunca mais nem considerou o assunto (ao contrário do Vivi, que sempre se manteve esperançoso).

Com a notícia, tudo aquilo veio à tona e ele entrou em pânico. Foi difícil, mas conseguimos explicar pra ele que tudo estava bem, que eu já estava entrando no segundo trimestre e que so far so good. Ele parou de chorar, mas cauteloso me aconselhou: “let’s not get too excited, because we never know” – eu, às vezes, me assusto com a maturidade e consciência desse molequinho.

Acalmados os ânimos, saímos para pegar um cineminha e jantar. Nickito segurando minha mão o tempo todo me lembrou do Vivi, aos 2 aninhos, quando descobriu que eu tinha um bebê na barriga e também não largava minha mão. O assunto do jantar foi completamente monotemático, mas os ares estavam mais leves, thank God. Quando chegamos em casa, Nickito, imediatamente, pegou papel e caneta e começou a fazer uma lista nomes para menina e outra para menino. Só foi dormir quando colocou o último nome na lista. Antes de dormir, ainda perguntou se poderia contar na escola, porque ele queria fazer pedidos de oração pela saúde do bebê nas aulas de religião. Fofo. Nem virou big brother ainda e já está todo protetor e preocupado.

Hoje pela manhã, ele já estava bem mais animado, querendo saber quando iria conseguir ouvir o bebe na minha barriga e sentir os movimentos. Já começa a fazer planos pra quando terceirinho chegar e pensa em escrever lullabies e bed time stories.

Vivi segue eufórico e agora preocupado em não me estressar – tô gostando disso! Passei o dia sem me aborrecer. Será que isso vai durar? Esperança de mãe é a última que morre, rs

Os dois estão felizes e eu, de certa forma, aliviada 🙂

Por ora é só! Nos desejem sorte! Quem é de rezar, reze, quem é de torcer, torça e quem é de mandar good vibes, mande em doses cavalares!

Segundo trimestre, aqui vamos nós!

Os 8 anos de Nickito

Meu little boy fez oito aninhos. Meu Deus, como o tempo voa, como passa acelerado. Noutro dia mesmo ele completava 3 anos, ainda com todos os dentinhos de leite. Ô tempo cruel, inimigo da mães sofredoras que temem o dia em que olharão em volta e verão o ninho vazio, silencioso.

Eh… a gente reclama do barulho, da algazarra, do fuzuê, mas a verdade é que só de pensar no silêncio, a lama dói.

Como de costume, tivemos, no dia do aniversário, aquele parabéns esperto que, desta vez, não foi com bolo, mas pudim de leite, a pedido do aniversariante que não é lá muito fã de bolo.

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Como este ano o aniversário caiu num sábado, começamos o dia saindo para tomar um brunch com direito a waffles e sorvete, aquela comilança! À noite ainda rolou um vietnamita básico, porque o garotinho estava saudoso das férias, rs Para encerrar o dia, parabéns com pudim, brigadeiros e beijinhos, atolando completamente, não um, mas os dois pés na jaca.

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O pior é que a temporada de celebrações está apenas começando…

No fim de semana seguinte, foi a festinha de aniversário que, este ano foi diferente: nada de play center overpriced, nem de muitos convidados. Nickito pediu uma festinha íntima, em casa, pros 5 amiguinhos que ele escolheu a dedo. Na verdade, desconfio que ele só queria chamar dois desses cinco, mas percebeu que a festa não ia ficar com cara de festa, então ampliou um pouquinho a lista, rs

Começamos com atividades no playground perto de casa, onde eles jogaram futebol, queimado, brincaram de pique, water gun e water balloons. Uma farra boa que ainda contou com a participação do nosso animador mirim de festas, Vivisauro – esse menino nasceu para o entretenimento. Tô pra ver moleque mais carismático. Tão carismático que a gente precisa ficar regulando para não roubar a cena, para não se sobrepor ao aniversariante (detalhe: a coisa é tão séria que Nickito nem queria convidar o irmão pro seu aniversário, alegando que todos os amigos iam ficar seguindo o Vivi, rs).

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Anyway, depois de muita brincadeira, estendi uma toalha de picnic no chão e servimos pizza, chips, pipoca e, atenção, re-fri-ge-ran-te, aquela coisa que a gente só compra pra festinha de aniversário, rs

As crianças estavam em êxtase, rs

A segunda parte da festa foi em casa, com uma sessão de videogame e, por fim, o parabéns, dessa vez, com bolo de verdade e o repeteco de beijinhos e brigadeiros. Claro que as crianças coreanas nem tocaram no bolo. Nem sei pra que eu servi…

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Aqui na Coreia, o bolo de aniversário só aparece na hora do parabéns e depois some. Não é cortado e servido. Muito estranho. Nickito uma vez, perguntou pra mãe do aniversariante quando iriam comer o bolo e ela, desconcertada, deu um cake pop pra ele e o caso ficou por isso mesmo, rs. Coisa de coreano.

No apagar das luzes ainda esvaziaram todos os balões de hélio, para ficar com voz engraçada. A molecada se divertiu. Aliás, impressionante como criança precisa de pouco pra se divertir.

Esta foi, de longe, a festa (bom, tava mais para playdate na verdade, rs) mais barata que já fizemos e no entanto a criançada se divertiu à beça.

Anyway, a festinha foi um sucesso, mas sobrou foi doce, hein! A molecada nem sabe o que é brigadeiro. De todos os convidados, só o peruano mergulhou nas iguarias brasileiras, os demais se restringiram aos industrializados. Não sabe o que perderam, rs.


Em tempo, deixo aqui registrada a minha mensagem de aniversário pro pequeno:

Hoje é dia dele, meu bichinho pequenininho, que já nem é mais tão pequenininho assim.
São 8 anos nos garantindo dias cheios de emoção (de todos os tipos rs). Ele que diariamente desafia cada miligrama da minha sanidade e mede cada centímetro da minha paciência. Ele que consegue ser mais teimoso do que o pai e a mãe juntos e ainda assim é a criatura mais fofa, amorosa, carinhosa e gentil da face da Terra. Ele que é um verdadeiro turbilhão de emoções e que faz com que nossa vida seja tudo, menos monótona.
Ele que adora tirar fotos, viajar, escrever e ilustrar suas histórias. Ele que adora restaurantes étnicos, que se emociona ao ver uma paisagem bonita ou uma flor diferente. Ele que tem uma alma sensível e um gênio absolutamente indomável. Ele que não é fã de bolo, não liga pra brigadeiro mas se deixar, cai dentro do “pudinho” e do beijinho já no café da manhã. Ele que é complicado e perfeitinho, o quarto elemento da nossa happy family. Ele que será para sempre meu bebê, eternamente meu baby Nick.
Parabéns, meu amorzinho. E não se preocupe com o tempo que “passa muito rápido”, porque nossa caminhada juntos será longa e cada vez mais feliz!
Happy Birthday, little guy! ❤️
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Marido – versão 4.1

Hoje é dia dele, meu super hubby, o super daddy dos meus filhotes, a metade que me completa e que vem fazendo minha vida mais e mais feliz, divertida e cada vez mais plena há mais de 16 anos.

Ele que é um poço de otimismo, que sempre espera que o melhor aconteça e, graças a isso, mesmo quando há tropeços, ou pedras no caminho, nunca fica triste ou chateado por muito tempo. Sempre se levanta, enxergando as melhores possibilidade no horizonte.

Ele que alegra meus dias com seu humor inteligente e me faz rir com suas bobeiras, rs 

Ele que apesar do ar de sério que engana muita gente, é uma criança grande que está sempre a postos para uma brincadeira qualquer, seja um jogo de tabuleiro, de cartas, de bola… 

Ele que é o melhor parceiro que eu poderia escolher, que está sempre por perto, sempre me apoiando, incentivando, me ouvindo e segurando minhas barras.

Ele que não é fã de viajar, mas todo ano me cutuca para que eu programe nossas férias, porque sabe que viajar me faz feliz. 

Ele que conhece minha alma, que sabe exatamente o que estou pensando, que ri comigo e que é parte mais do que ativa em nossa família. 

Ele que é inteligente, justo, bom de bola (dizem rs) e ainda toca uma viola de vez em quando para alegrar meu coração 🙂

Ele que coloca a família em primeiro lugar e divide comigo a difícil arte de educar nossos filhos nesse mundo doido. 

Ele que não é perfeito,  que deixa roupa fora do lugar, que nunca lava a louça toda de uma vez, que larga o barbeador na mesinha de centro (?), que escolhe a camiseta mais amarrotada e veste já na porta de casa pra eu não ver, rs

Ele que é tão distraído que é capaz de passar por cima de um papelzinho (estrategicamente colocado) no chão (como teste) e não ver/pegar (!!!)

Ele que é um ser humano ímpar, meu bilhetinho premiado na vida, sem o qual minha happy family não existiria.

Ele que poderá sempre contar comigo, com o meu amor, a minha admiração e o meu apoio. 

Ele que hoje lança sua versão 4.1, com uma boa forma e disposição invejáveis, provando que os 40 são os novos 30 😛

Parabéns, love!

Que sua versão 4.1 chegue trazendo ainda mais alegrias, saúde e muita disposição, porque você vai precisar 😉

Te amo!