Meltdown

Foi na segunda-feira na hora do almoço (que eu comecei a preparar logo depois do café da manhã) que eu experimentei meu primeiro meltdown desta gestação.

Foi intenso. Foi incontrolável. E, claro, os meninos assistiram de perto, sem ter ideia do que fazer.

Porque eu ando extremamente enjoada e intolerante a cheiro de comida, resolvi fazer o peito de frango no forno. Temperei, empanei com farinha sem gluten e levei ao forno.

Enquanto isso, cozinhei arroz e lentilha e temperei. Fiz uma salada e preparei vegetais refogados.

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Quando finalmente terminei, os moleques já estavam famintos. Coloquei a mesa e os chamei. Servi o prato dos dois e então o meu.

Nick, na hora de cortar seu franguinho, derramou metade da comida no chão. Pois é, o frango passou do ponto no forno. Isso já cutucou meu estresse que estava adormecido.

Vivi, vendo minha fisionomia de desespero com aquela comida espalhada, se prontificou imediatamente para limpar. Eu deixei.

Fui dar a primeira garfada e a lentilha estava sem gosto, sem tempero. Fui partir meu frango duro e estava insosso, ruim mesmo. Desandei a chorar um choro desesperado de desproporcional, um choro acumulado, um choro de leite que ferveu e derramou. Mandei todo mundo parara de comer, porque ninguém merecia comer aquela gororoba. Os meninos se assustaram.

Imediatamente tirei dos pratos deles os frangos ressecados e junto com o que havia ficado na travessa, joguei no lixo. Peguei outra bandeja de peito de frango e grelhei na frigideira mesmo, enquanto chorava cachoeiras compulsivas. O lado positivo de estar chorando é que o nariz entupiu e não senti o cheiro da comida.

Retemperei a lentilha e servi novamente os meninos que comeram tudo sem dar um pio. Mentira, comeram elogiando, tadinhos (eu sei que mesmo o remendo não tava lá essas coisas).

Fui pro quarto e só saí quando já não restavam mais lágrimas.

Enquanto eu me debulhava, os meninos preparavam cartinhas e mimos cheios de carinho para a mãe surtada. Quando vieram me presentear, chorei outra cachoeira.

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E assim foi o primeiro dia em que o Mauricio não estava em casa. Não falei, mas ele está na Flórida. Foi na segunda e retorna amanhã. Foi tentar encontrar nosso lugar ao sol (literalmente), tentar arrematar uma oferta na University of South Florida e com ela, garantir nossa próxima parada, fechando o ciclo que iniciamos há 14 anos quando iniciamos nossa vida fora do Brasil.

Não sabemos o que acontecerá, mas seja lá o que for, que seja o melhor para nossa família.

Por ora eu sigo apreciando os lindos dias do outono coreano e tentando lidar com esse estresse (nem tanto pela possível mudança, mas pelo conjunto da obra) invisível que eu jurava não estar sentindo, mas que tava ali, escondidinho, só esperando um almoço dar errado para vir à tona.


Em tempo: desde o meltdown, as refeições ficaram muito melhores. Resolvi que não posso mais viver em função desse enjôo, não posso mais me esconder da comida, e mesmo com ânsia de vômito, enfrento os cheiros para mostrar pra mim mesma que eu sou mais forte do que esse persistente mal estar.

(again) out of the blue

Fim de domingo, estávamos eu e marido deitadinhos na cama conversando sobre sei lá o que, quando Nick entra no quarto, olha pra minha cara, bem no fundo dos meus olhos e…

– Are you pregnant, mom?

Eu: oi?

Ele: ah não, achei que você estivesse chorando…

(oi, como assim?)

E assim como entrou no quarto, saiu dele, sem maiores explicações.

Eu e marido nos entreolhamos espantados – how come?

Aí eu pergunto: será que eles estão desconfiando?

No mesmo dia, mais cedo, estávamos sentados à mesa jantando, quando o marido gesticula, indicando que a barriga estava muito aparente. Eu tento encolher, em vão.

Talvez seja hora de liberar a informação pros moleques, parar de tentar esconder a barriga em casa… O problema é que eles não sabem guardar segredo e eu ainda estou insegura, nem grávida me sinto ainda, apesar do tamanho da pança, o que me causa muita estranheza.

Essa consulta das 12 semanas que não chega nunca. Aff…

 

As 10 semanas e os olhares

É, tá difícil de esconder a pança. Especialmente em casa.

Nickito já nem comenta mais sobre meu “sobrepeso”. Achou melhor guardar um respeitoso silêncio.

Vivi, do alto de seus quase onze anos, aprendeu uma coisa ou outra sobre como não magoar as pessoas, então, muito embora, claramente, já tenha notado a pança da mãe, nunquinha fez um comentário sequer. Entretanto, coitado, a estranheza deve estar tão grande que volta e meio o pego olhando minha protuberância abdominal (e tentando disfarçar). Seu semblante mistura surpresa e interrogação. “Mamãe tá embarangando”, deve pensar. Mais um pouco e não vai nem mais querer que eu apareça na escola, para não correr o risco de comentários maldosos.

Fico imaginando o que se passa na cabecinha dele, porque, como pode a pessoa, que vive “doente”, enjoada, sem poder sentir cheiro de comida, “engordar” tanto? É, no mínimo, bem estranho.

E seus olhares não negam a estranheza.

Qualquer dia desses ele não vai se conter e comentar, já consigo imaginar: “mamãe, não leve a mal, mas…”

Talvez eu deva me adiantar e contar logo pra eles sobre a tal encomenda… Mas como se, volta e meia, tenho a notícia de um aborto espontâneo próximo de mim? E o medo?

Bom, daqui uma semana e meia e terei minha consulta das 12 semanas. Talvez, só talvez, se tudo estiver certinho, eu conte.

Vamos ver.

 

 

Alegria define.

Domingo à noite, quase na hora de dormir, Vivi, que passou o fim de semana inteiro entre brincadeiras, games e tv, se apressa em direção ao computador alegando ter uma redação importante para terminar.

Domingo à noite e ele não havia terminado o dever de casa. Típico de Vivi.

Fiquei brava, claro. Fui logo passando aquele sermão básico sobre responsabilidade, “first things first”, blábláblá…

Concluído o sermão, ele sentou-se em frente ao computador e pôs-se a escrever.

Da sala, eu só ouvia seus dedinhos teclando numa rapidez, no mínimo, interessante para um 10 year old boy – na idade dele, eu nem milho catava. Outros tempos.

Terminada a redação, sentei pra ler.

Gente, meu coração se encheu daquela alegria que só uma mãe pode sentir.

Que meus filhos têm a fala bem articulada para as idades deles, eu já sabia. Que escrevem direitinho, também. Mas ler aquela redação, baseada em fatos reais, tão bem estruturada, tão bem conduzida e tão bem finalizada, me encheu de orgulho, de alegria e, confesso, de um certo alívio, porque ultimamente tem rolado tanta briga pra estudar, ler, escrever, que eu realmente estava precisando de um carinho desse.

Claro que havia alguns errinhos gramaticais pelo caminho, assim como a persistente ausência de espaçamento entre palavras e pontuação, mas tudo isso ficou pequeno diante da clareza das ideias, do formato bem articulado, da fluência, do desenvolver e desenrolar da história e da emoção que ele depositou naquelas linhas.

Redação de quem sabe o que está fazendo, de quem domina a arte. E isso não é exagero de mãe coruja. Juro. Quem me conhece sabe bem que eu não faço parte do clube das mães que acham tudo o que os filhos fazem o máximo. Pelo contrário, sou bem crítica. Não tanto como a minha mãe, mas sou bem crítica. E no alto do meu senso crítico, garanto: muito adulto, graduado e pós graduado que eu conheço não é capaz de escrever uma redação daquela maneira.

Não que haja algo de errado nisso. Cada qual com seus talentos. Mas aquela redação madura encheu meu coração de alegria e me trouxe uma certa paz.

Vou dormir mais feliz esta noite.


Em tempo: Sempre achei meus moleques super criativos. Acho o máximo os livros que o Nickito adora escrever e sempre achei incríveis os comics que o Vivic costumava criar, mas o que realmente me tocou foi a escrita madura, coisa que eu realmente não esperava para a idade dele.

Às vezes, eu e o marido nos perguntamos como pode o Vivi ter tanta dificuldade pra matemática, como pode ter tanta preguiça de pensar, como pode não achar divertido/interessante. A quem ele saiu?

Às vezes a gente fica até bem preocupado com tanta falta de atenção e interesse, mas essa redação, nos 45 do segundo tempo, no melhor estilo “nas coxas”, me deu aquela sacudida. Filhos não têm que ser o reflexo dos pais, eles têm que ser o reflexo deles mesmos, com seus próprios interesses e desinteresses, facilidades e dificuldades… E nós, pais, precisamos nos preocupar menos com isso e mais em identificar essas diferenças e lidar com elas da melhor forma possível, sempre apoiando, estimulando e tomando todo o cuidado do mundo para não transformar as dificuldades da infância em bloqueios na vida adulta.

Não está sendo fácil

E o sintoma da vez é….

Boca amarga!

Não que os demais sintomas tenham me deixado em paz… Sigo enjoada, me emocionando pelos cantos, com os peitos doloridos, um sono de causar inveja à Bela Adormecida, uma azia bem chatinha e, mais recentemente, cada vez que como ou bebo alguma coisa, qualquer coisa, minha boca amarga de uma maneira perturbadora. 

Dizem que, assim como os outros incômodos, este também irá desaparecer tão logo o primeiro trimestre dê lugar ao segundo, entretanto, como nesta gestação, ao contrário das anteriores, eu tenho o agravante da síndrome de Sjogren, que por si só já deixa minha boca extremamente seca, temo que, por causa disso, o amargor se perpetue até o final da gestação, ou pior, nunca mais me abandone.

Agora, se já não está sendo fácil me alimentar corretamente com esses enjoo dos infernos, imagine somar a isso esse amargo na boca a cada coisa que eu ingiro? 

Not fun at all.

Mas no fim das contas, só uma coisa importa: que nosso terceirinho tenha saúde pra dar e vender. Todo o resto é mimimi de grávida 🙂

Em tempo: Vivi, noutro dia, viu o aplicativo de gestação no meu iPad e imediatamente me perguntou: “mamãe, você tá grávida??” Eu tirei o iPad da mão dele, no impulso, e deletei o app, dizendo que eles precisavam parar de instalar coisas aleatórias no meu iPad. Ele não tocou mais no assunto. 

Ainda bem que ele não sabe que enjoo é sintoma de gravidez, senão eu teria que entregar o jogo.

o poder da meditação

Meditação tem poder.

Fui iniciada na meditação faz, sei lá, uns três anos, através de uma amiga que me indicou um aplicativo (Headspace). Na época, precisava disso para controlar o estresse, que estava grande e agravava demais os sintomas do Sjogren. Comecei minha jornada no mundo da mindfulness e segui nele por vários meses, até que comecei a pular um dia aqui, outro ali e quando vi, aqueles minutinhos diários de meditação já não faziam mais parte do meu dia a dia. 

Até que um belo dia me vi grávida. Grávida sem ter planejado. Grávida quando, mesmo sentindo que ainda faltava um elemento pra completar nossa família (há anos sinto isso, esse vazio), sentia também que já não tinha mais tempo, nem saúde, nem energia para encarar tudo novamente. Foi um dos maiores estresses que passei. Um desespero.

Minha primeira reação foi imaginar (e procurar no Google) tudo de ruim que poderia acontecer, tudo o que poderia dar errado em virtude da idade avançada (afinal, tô na versão 4.0), da síndrome de Sjogren e de todo o caráter não planejado dessa gestação, afinal, além de obviamente não estar  preparando meu corpo para uma gestação tardia, eu tava era curtindo minhas férias que andavam regadas à caipirinha e coquetéis à beira da piscina (e olha que não bebo nunca!), sem falar do pé na jaca em todas aquelas comidas que grávidas devem manter distância. 

Tudo isso contribuiu para que eu entrasse num estado de estresse e desespero enorme, mesmo antes de voltar de férias e confirmar a gestação.

Foi aí, que renovei minha assinatura do Headspace e voltei, da noite pro dia, a ter meus encontros diários com o Andy, desta vez, através do pacote direcionado para gestantes, quem diria. Dependendo o dia, são 15 ou 20 minutos, mas todos os dias estou lá, firme e forte, naquele momento só meu. Quando a fadiga tá muito grande, confesso, acabo dormindo (no último mês aconteceu bem umas duas vezes), mas o que importa é que o resultado está aí pra quem quiser ver: ando envolta numa paz, numa tranquilidade de intrigar qualquer um que me conhece.

Não vou dizer que todas as minhas preocupações desapareceram, que esqueci delas. Absolutamente não. Tá tudo aqui, reconhecido e autenticado, porém a maneira com a qual estou lidando com tudo isso é quase como uma experiência fora do corpo. Tô observando de fora, sem analisar, sem deixar que interfiram no meu dia a dia. 

Tô tão zen que até pros meninos me tirarem do sério tá difícil. Eu “puxo a orelha”, dou sermão e às vezes falo até mais alto pros moleques acordarem pra realidade, mas tudo com muita calma e serenidade. Irreconhecível. Claro que, como qualquer grávida, lido com mudanças de humor e momentos turbulentos, mas quando acontece, passam tão rapidamente, que nem entendo. É quase como se eu estivesse conseguindo racionalizar as emoções, observá-las enquanto elas acontecem. Bem estranho. Estranho, mas libertador.

Me sinto em total controle de mim mesma. Sei que não posso controlar tudo ao meu redor, mas descobri que posso controlar como tudo ao meu redor me afeta e isso, meus caros, não tem preço.

E não é somente com relação à gestação e o dia a dia com os meninos, não. Estou vivendo o mantra: entrego, confio, aceito e agradeço. E olha que não são poucos os motivos para ansiedade e estresse nesses últimos tempos.

Só para ilustrar, em duas semanas, maridinho vai passar uma semana fora, numa campus visit na Flórida. Ele está uma mistura de euforia e nervosismo. Sonha, em pesadelo, pensa nisso o tempo todo, fala disso o tempo in-tei-ro. 

Pra quem não sabe, a campus visit é a última fase do processo seletivo, depois do qual se tem ou não uma oferta.

Pra quem não sabe, meu digníssimo sonha em se mudar pra Flórida desde que se formou no doutorado.

Pra quem não sabe, se essa ofertas concretizar, nos mudaremos de um canto do mundo para o outro com mala, cuia, duas crianças e um bebê recém chegado ao mundo.

Pra quem não sabe, se não fosse minha meditação de cada dia, estaria tendo ataques de pânico e ansiedade diários.

E é por essas e outras que eu super recomendo que todo mundo dedique uns minutinhos de seu dia, todos os dias, à meditação. Incorporar essa prática à rotina é tão importante quanto beber água, escovar os dentes. É uma questão de saúde. 

Meditação é vida.

O primeiro playdate aqui em casa

Noutro dia, recebemos o Isaac para o primeiro playdate aqui em casa.

O ar condicionado não estava funcionando, então, para minimizar o tempo indoors,  primeiro levei as ferinhas para tomar sorvete e depois passei a maior parte do tempo com eles no parquinho aqui perto, até que, finalmente pediram pra vir pra casa.

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A farra durou apenas um par de horas, mas foi boa! Riram, brincaram (e nem suaram tanto, rs), assistiram seriado e comeram pipoca, atenção, NO QUARTO 🙂 – coisa impossível de acontecer num dia normal nessa casa, rs. Mas playdate é playdate 😉

Pai não é mãe

Vivi, aos 10 anos, 10 meses e 26 dias, finalmente fez as contas e descobriu que… Papai Noel não existe.

Na verdade, se eu tivesse me mantido firme e feito cara de “o que você tá falando? tá louco?”, ele seguiria acreditando. Duvidando um pouco, mas acreditando.

Acho – acho, não, tenho certeza – que ele ficou triste, desnorteado. Ao mesmo tempo que ele queria nos encurralar, esperava que, como sempre, eu viesse com uma justificativa mirabolante, algo incontestavelmente real que provasse que sua suspeita não passava de loucura. 

Mas, ele já tem quase onze anos, né? Tava na hora de passar pro lado de cá. A gente já estava esperando por este momento há algum tempo. Tava ficando esquisito, entre os amigos incrédulos, ele ser o único que defendia o bom velhinho.

Bem, na verdade, na verdade, se ele tivesse questionado a mim, em vez do pai, eu não teria tido coragem de matar São Nicolau assim à queima-roupa, mas pai não é mãe, né?

E foi de uma maneira tão ridícula que me deu até pena.

Hoje, chegando do colégio, Vivi abriu o armário que fica no hall de entrada e encontrou a embalagem do skate e dos protetores que ganhou do Papai Noel no último Natal. Claro que ele só encontrou essas embalagens, porque foi incumbência do pai, tirar da embalagem do fabricante e colocar os presentes sob a árvore. Claro que não passou pela cabeça do pai jogar imediatamente os resquícios no lixo do lado de fora do prédio, eliminando completamente qualquer prova do crime. Pai não é mãe. Tanto não é, que além de não ter jogado fora na hora, esqueceu do assunto completamente, por 9 meses. E aí, finalmente, Vivi, ao se deparar com aquelas embalagens da mesma marca de seus apetrechos, ligou os pontos e resolveu perguntar.

O pai, quando ouviu a pergunta, nem tentou remendar, foi logo entregando o jogo. Pai não é mãe.

Vivi entrou em casa meio transtornado e pediu para conversar em privado comigo. O que eu poderia fazer àquela altura, depois que o próprio pai já havia posto as cartas na mesa? Não fazia mais sentido manter a história. Agora sim, estaria mentindo – antes, não :P. Antes estava apenas me ocupando em construir memórias. E foram tantas as voltas que dei nesses meninos…

Mas agora, Vivi se graduou. No more Santa for him. Tô triste.

O pior foi ver o olhar de decepção no rosto dele: “então tudo foi uma grande mentira?? Você mentiu pra mim por todos esses anos? E o Cheeky? E todas as cartinhas? E a água do Polo Norte?”

Yup, tudo parte da história.

Expliquei pra ele, que não deveria encarar como mentira, mas como parte importante da magia da infância. Expliquei também que ele estava terminantemente proibido de contar pro irmão! Que ele ainda era muito pequeno e deveria descobrir sozinho, no momento certo, assim como foi com ele.

Na sequência, Vivi quis saber quantos anos eu tinha quando meus pais me contaram, se eu era mais nova ou mais velha que ele. Ficou meio decepcionado quando eu disse que ninguém me contou, que como ele, eu liguei os pontos, só que eu era mais nova. Na verdade, não lembro bem com quantos anos foi, mas lembro que não foi traumatizante, foi bem tranquilo, natural até.

Mas o olhar do pobre Vivi permaneceu perdido. Olhando pro nada, ele disparou: “e eu ainda teimava com meus amigos que papai noel existe sim…. como fui bobo!” Bobo, não, meu filho, você é criança, uma criança com uma infância feliz e memórias maravilhosas – disse a ele.

Ainda inconformado, Vivi foi pro seu quarto estudar, mas não demorou a reaparecer e fazer outro questionamento: “mamãe, e a fada do dente, também é mentira?” Ao que o pai se adiantou de maneira bem simplificada, “Vivi, tá tudo no mesmo pacote”.

Olha, eu não sei se fico feliz pela inocência ou desesperada pela falta de questionamento que o levou a acreditar por tanto tempo até mesmo na fada dos dentes, ainda mais tendo uma fada esclerosada em casa, que nos últimos tempos, não dava uma dentro, hahaha. O último dente levou umas três noites pra sair de baixo do travesseiro e quando saiu, as moedinhas não apareceram. Fada safada, rs

Mas agora acabou. Aos quase onze anos, Vivi se despede da mágica do Natal. E dos dentes perdidos. E do Coelhinho da Páscoa… É oficial: ele está crescendo.

Agora será mais difícil me comprometer com as mentirinhas pro Nick, porque cada vez que aparecer uma cartinha do Papai Noel, ou que o Cheeky mudar de posição pela casa, Vivi estará me observando e pensando “eu sei o que você fez no verão passado”

Ai ai… vamos ver até quando a magia vai durar na vida do Nickito.

O que eu sei é que Cheeky não está nem perto de se aposentar, nem as mentirinhas maternas, porque se tudo correr bem, teremos um recomeço de tuuuudo isso em 2019.

Aquele primeiro trimestre que não termina nunca

Ainda não contamos sobre o terceirinho para quase ninguém, nem mesmo para a família. E como não foi uma gravidez planejada, ninguém nem desconfia, claro. 

Azamiga aqui de Seul também não fazem ideia, até porque tenho me escondido, evitado encontros e conversas mais particulares. Vou a almoços só com a galera e assim me protejo de uma conversa mais íntima que possa pender pra esse lado, afinal, estar com uma pessoa que vive enjoada pode levantar suspeitas. Além do mais, por eu estar constantemente enjoada, com a boca amargando, ânsia de vômito e sem vontade de comer quase nada (que não seja doce e feijão tropeiro/farofa ou torrada com manteiga – coisa de maluco? não, de grávida, rs) nem sinto vontade de sair de casa. Às vezes nem da cama, que virou minha melhor amiga nas últimas semanas. Não passo sem meu cochilo do meio do dia. A gente também já não sai mais para almoçar/jantar aos finais de semana como costumávamos e quando saímos, vou na amizade.

Os meninos, claro, notaram que a mamãe não anda muito bem e ontem chegaram a fazer cartinhas desejando que eu melhore logo – não se se somente por amor, ou para que a vida deles também volte logo ao normal, rs

Às vezes, muito raramente, me pego imaginando como será a reação das pessoas quando começarmos a contar. Surpresos todos ficarão, isso é certeza. Por que raios a Erica, aos 40, mãe de dois moleques já crescidos, morando na Coréia do Sul, onde sequer fala o básico da língua (nem o alfabeto conhece) e ainda carregando uma síndrome de Sjogren nas costas engravidaria? Pois é, eu também não sei. Obra do destino, vontade de Deus, pegadinha da vida… ou simplesmente descuido de férias de verão.

O fato é que o primeiro trimestre nunca demorou tanto a passar. Como está arrastado, meu Deus! A princípio, combinei com o marido que só começaremos a contar depois que eu completar 20 semanas, quando a chance de aborto espontâneo reduz sensivelmente. Afinal de contas, mesmo tendo sido uma concepção natural/acidental num momento em que eu estou (estava) super saudável, não dá para ignorar o fato de que estou no grupo de alto risco.

Mas quando eu penso que ainda estou na oitava semana, ai meu Deus… 

Vivi e os primeiros sleep overs

Os meninos já fazem sleep over faz tempo, desde bem pequenininhos, mas sempre, invariavelmente, todas as vezes na casa de amigos nossos, nunca na casa de amigos não brasileiros.

Em Melbourne, já dormiram nas casas de 4 amigos diferentes, alguns com filhos da mesma idade, outros, na época, sem filhos. E apesar de eu sempre ficar um pouco apreensiva, nunca fiquei nervosa.

Pois bem, viemos para a Coréia, onde os amiguinhos são todos da escola e, conforme antecipado, começaram a surgir os convites para playdate e, pior sleepover.

O primeiro sleepover do Vivi, foi na casa de um amigo coreano-americano, o Isaac, um menino muito educadinho e simpático. Bonzinho mesmo. Tem uma irmãzinha fofa que adora o Vivi. Já havia conversado algumas vezes com a mãe dele, que foi criada nos EUA e se mudou recentemente para a Coréia.

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Levei uma semana para aceitar o convite, mas por fim resolvi relaxar e deixar o Vivi viver essa experiência.

Mil recomendações e com o coração apertado, liberei.

E foi ótimo 🙂

Uns meses depois veio o segundo convite, dessa vez, o sleepover seria na casa do Ashu,  amiguinho indiano – bom, indiano porque é de família indiana, mas já nasceu em solo estrangeiro e nunca morou na Índia.

A mãe, que eu já conheço há bastante tempo, organizou um jantar indiano e convidou as mães e irmãos, depois voltamos pra casa, deixando o Vivi para sua segunda experiência. O interessante desses sleepovers é que são super internacionais, né? Um mergulho em culturas diferentes 🙂

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Tirando o fato que as crianças quase não dormiram, de tão empolgadas, foi tudo bem também – bom, não sei se o pai do menino achou que foi tudo bem, porque 4 moleques barulhentos a noite toda só os fortes aguentam. Eu não aguentaria host um evento desse em nosso pequeno apartamento, rs

O terceiro e, por enquanto, último sleepover foi num hotel, veja você, um sleepover de aniversário! Outro amiguinho, Leon, meio japonês, meio russo, resolveu fazer uma comemoração diferente e convidou os 3 melhores amigos para um playdate/sleepover num hotel – claro, supervisionado pelos pais (que nós também conhecemos).

A farra foi completa, com direito a brincadeira na piscina e pizza no quarto. Pensa numa criança feliz!

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E assim foram as 3 experiências, até agora, do nosso primogênito com sleepovers independentes. O único problema é que o caçulinha, 3 anos mais novo, está reclamando os direitos que acha que tem, rs Quer fazer sleepovers também. Já imaginou?? Calma aí, meu caro, devagar com a andor! Daqui a três anos a gente conversa sobre isso 😉