Churrasquinho Coreano

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não, isso não é uma loja de luminárias 😛

Aqui em casa é sempre uma luta na hora de escolher em que restaurante ir. Um quer ir no indiano, outro no tailandês, outro no brasileiro, outro no mexicano. Entretanto, foi este coreano – quem diria? – que agradou a todos (quando eu digo todos, quero dizer, as crianças, afinal, são eles que mandam, né? rs).

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O churrasco coreano acabou atendendo a gregos e troianos: Vivi é um carnívoro incurável, se deixar, sobrevive à base de carne somente. Nickito adora cozinhar. Eu preciso evitar o glúten e a lactose. O marido, apesar de ter suas preferências, é easy, topa qualquer coisa.

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Neste tipo de restaurante, tão tradicional aqui na Coréia, você prepara sua própria carne. Você escolhe as carnes (nós pegamos um combo de camarão, cordeiro e frango), eles trazem tudo cru, acendem o carvão, ligam o exaustor e você prepara você mesmo seu almoço na sua mesa. Alguns restaurantes trazem acompanhamentos como kimchi, folhas, cogumelos, alho… mas nesse aí foi só carne mesmo.

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Nickito ficou feliz da vida, se sentiu o chef. Vivi enterrou a cara na carne e no final declarou: best restaurant ever! 🙂

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detalhe da rua cheia num domingo gélido em Hongdae

PS. o bom de ser claramente estrangeiro é que a gente pode abusar das fotos sem ninguém ficar olhando atravessado pra gente.

PS2. O bom de morar na Coréia é que gente pode abusar das fotos sem ninguém ficar olhando atravessado pra gente.

Alguém segura o tempo, por favor?

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O tempo passa, o tempo voa e o coração da mamãe aqui fica apertadinho sem saber se tá feliz ou triste.

Até hoje, durante esses nove anos, quatro meses e treze dias, foram muitas as primeiras vezes do Vivi. O primeiro suspiro fora da barriga, o primeiro dentinho a nascer, a primeira palavra, os primeiros passinhos, o primeiro corte de cabelo, a primeira viagem de avião, o primeiro aniversário, o primeiro dentinho quebrado, a primeira vez que usou o penico, a primeira piada, o primeiro dente a cair, o primeiro dia na natação, a primeira vez que limpou o bumbum sozinho, que escovou os dentes sem ajuda, a primeira pedalada na bicicleta sem rodinhas, o primeiro dia na escola, o primeiro concerto de Natal, o primeiro dia na escolinha de basquete, o primeira vez que patinou no gelo…

Ontem, entretanto, foi a primeira vez que me senti órfã do meu menininho.

Vendo que suas unhas já estavam crescidas, em vez dele vir me lembrar que eu precisava cortá-las, foi ao banheiro, pegou o cortador e deu conta do recado ele mesmo, assim num ato de independência repentina, sem aviso prévio.

Cadê o meu menininho? Cadê meu molequinho que, até pouco tempo, saía correndo pela casa cada vez que eu o chamava para cortar as unhas? Pelo amor de Deus, cadê???

O Vivi do sorriso maroto da foto ali em cima foi aos poucos dando lugar para um outro Vivi. Um Vivi “maneiro” (ou cool, como ele gosta de dizer), crescido. Popular ele sempre foi – ô menino pra ter amigos! Mas minha figurinha rara de repente decidiu crescer e ontem, deixou meu coração apertado e confuso.

Coisas de mãe, né? Quem mais se emocionaria e viria tanto significado numa simples cortada de unhas? Pois na hora em que ele veio me mostrar seu feito, um filminho me passou pela cabeça, desde o seu nascimento até aquele exato momento, várias imagens pipocaram em sequência em minha mente. O coração ficou apertado. Ele cresceu! Por mais que eu quero mantê-lo pequenininho, ele já é um molecão que mal cabe no meu colo e que eu praticamente não aguento mais levar pra cama.

Sei que devemos criar os filhos pro mundo, sei que devo criar meus filhos para que sejam independentes (e faço isso), mas na hora que, espontaneamente, meu primogênito decide cortar as próprias unhas, me sinto órfã. Sou louca? Talvez. Mas o fato é que ontem à noite, experimentei emoções paradoxais: orgulho/alegria e um bocadinho de tristeza/melancolia. Eu quero que eles cresçam, mas… eu não quero que eles cresçam. Cortar as unhas era uma coisa minha. Agora o que sobrou? Fazer o café da manhã? O jantar? Acordá-los para a escola? Até quando?

O que conforta um pouco o meu coração é que, assim como o Nickito, o Vivi também ainda faz absoluta questão do beijo e do abraço de boa noite. E eu prefiro não me perguntar até quando, porque no dia em que ele recusar ou não fizer mais questão, vou me deitar em posição fetal e chorar a noite inteira. Essa é uma primeira vez que eu, definitivamente, não espero que aconteça tão cedo. Não pelos próximos 20 anos…


Há quem diga que eu preciso aprender a let it go.
Há quem diga que o que eu preciso é de mais um bebê.

Sobre o que aconteceu com meu blog australiano

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O The Jump Of The Kangaroo, assim como o HomeSweetener, foram invadidos por hackers.

Tentei, inúmeras vezes, me livrar dos safados, mas não obtive sucesso. Eles sempre voltavam.

Cansei. Cansei de lutar contra eles. E também me recusei a pagar uma fortuna para empresas de segurança aproveitadoras, para manter meus bloguinhos pessoais livre dessas pestes.

Para mim, blogar sempre foi um misto de hobby e terapia. Usava meus blogs não só para registrar minhas histórias, meus momentos, minhas alegrias, minhas crises, mas também para compartilhar ideias, passar receitas, publicar um DIY… Tudo no espírito blogueira das antigas.

“Blogo” há mais de 12 anos por puro prazer. Inevitavelmente, outras coisas nasceram dos meus blogs. Conheci muita gente, ganhei clientes, até sócias :). Tudo foi acontecendo de uma maneira muito natural, orgânica. Nunca fui blogueira bombada, mas tinha público cativo, tanto no The Jump (sucessor australiano do americano Um em Dois), meu blog de vida, quanto no HomeSweetener, meu blog de decor.

Me partiu o coração ter que deixá-los ir, especialmente o The Jump, que guardava tantas histórias dos 7 anos que moramos na Austrália. Mas não valia a pena me aborrecer ainda mais com isso. Meus blogs self-hosted começaram a me dar mais dor de cabeça e estresse do que prazer. Estava pagando para me aborrecer.

Perdeu o sentido.

Até que nos mudamos para a Coréia e, como escrever é para mim uma necessidade, resolvi tentar uma opção com bem menos exposição e muito mais segurança: um blog no wordpress.com no modo privado.

E aqui estou eu. Já são seis meses, cerca de 90 desabafos posts. Coisa pra caramba, né? 🙂

O que me deixa um pouco triste é ter sido obrigada, pelas circunstâncias, a partir pro modo privado. Não porque eu seja do tipo que gosta de aparecer (not at all), mas porque uma das maiores alegrias que meus blogs públicos me proporcionaram foi ser descoberta, das mais diversas maneiras, por leitores que viraram amigos, muitos deles pessoais, daqueles que frequentam minha casa, que são parte da minha vida real.

Hoje, aqui na Coréia e ainda por cima com um blog privado, me sinto isolada, carente do convívio com os amigos no mundo real e no virtual. É estranho. Fui do 8 pro 80.

Mas isso tudo há de ser passageiro 😉

Always look on the bright side of life

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Hoje voltei à Yoga, para uma aula de Hatha. Foi um pouquinho melhor que a Raja + Mantra, mas ainda assim não deu liga 😦

Na hora de ir embora, enquanto esperava o ônibus que perdi por 10 segundos, avistei morangos lindos na quitanda em frente. Entrei e comprei.

Já em casa, após almoçar uma saladinha parruda de quinoa, carne, couve, tomate, cebola, alho, pimentão, parmesão e passas, fiz uma infusão de hortelã para acompanhar a sobremesa: 2 quadradinhos de chocolate 80% (que nem comi todo) + os morangos da vendinha.

Pensa num morango doce, suculento, delicioso. Esses eram ainda melhores.

Se eu não tivesse ido à Yoga e não tivesse perdido o ônibus, não teria comprado esses morangos deliciosos 🙂


Ah! Pedi para me transferirem da aula de sexta para a de quinta (power Yoga). Torcendo muito pra ser melhor!

Café da manhã saudável e reforçado

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Como eu não tenho mais o HomeSweetener (malditos hackers!) para os assuntos de casa, comida, organização e DIY, volta e meia aparecerão posts assim por aqui. E a verdade é que faz mais sentido ser assim, tudo concentrado num só lugar, em vez de ficar administrando um blog para cada fim. Até porque, no fim das contas, é tudo sobre mim, meus gostos, minhas experiências, minha vida, minha família… eu, eu, eu, eu 😛

Antes de passar a receitinha básica, vamos ao motivo que me levou a experimentá-la:

Falta de alternativa 🙂

Eu amo pão, amo leite (e todos os seus derivados), mas a verdade é que descobri que nem um nem outro me faz bem, então tenho tentado, bravamente, tirá-los do meu dia a dia.

Na Austrália, eu encontrava pão sem glúten com muita facilidade, aqui não encontro em lugar nenhum. Teria que fazer em casa, mas olha o trabalho! Além disso, só eu comeria – olha o desperdício! Então, resolvi buscar alternativas saudáveis e “parrudas” para enriquecer meus ovos da manhã – porque desses eu não abro mão. E, sim, não se deixem enganar pela foto, os ovos são sempre em dois (o outro ficou fora da foto porque não tava muito fotogênico, rs).

Às vezes, como os ovos com lâminas de beringela gratinadas, outras vezes sob forma de crepioca recheada com tomates, outra vezes acompanhados de couve refogada… mas, tirando a crepioca, as outras combinações não me dão o sustento que eu preciso, logo não demorava muito até que eu ficasse faminta. Aí, dia desses eu esbarrei com essa ideia maravilinda na Internet: Ovos assados no abacate 🙂

A “receita”é tão óbvia que dá até vergonha de passar, mas vamos lá:

Pegue um abacate, parta ao meio, retire a semente e uma quantidade da polpa – suficiente para abrir espaço para o ovo que vai entrar ali.

Quebre um ovo em cada metade do abacate, coloque numa forma e leve ao forno pré-aquecido a 200 gruas por não mais que 15 minutos. O ideal é que a clara fique branquinha sem ficar durinha e que a gema fique molinha.

Retire do forno imediatamente, tempere com pimenta do reino e sal do Himalaia moídos na hora, cebolinha picadinha e azeite extra virgem.

A polpa que deu lugar aos ovos, você pode amassar, temperar com sal e pimenta, misturar tomate e cebola picadinhos e finalizar com um fio de azeite e um punhado de cebolinha picadinha.

Fica bonito? Fica. É saudável? É. Sustenta? Ô!

Essa foi uma das soluções que eu encontrei para não passar fome e não virar um faquir desde que voltei a evitar o consumo de glúten.

Outro dia falo sobre a crepioca 😉


Lembram que, no sábado, tínhamos um jantar na casa do amigo italiano? Pois bem, como tínhamos almoçado mexicano super tarde, resisti bravamente e não comi nem macarrão (que certamente não era gluten free, rs), nem bruschetta (buáaaaa). Em compensação tomei vinho. E hoje, me deu crise fortíssima de abstinência de doce (desconfio que por causa do vinho) e sucumbi a uma barrinha de chocolate. Fiquei tão feliz que nem consegui sentir culpa. Mas a boca secou instantaneamente 😦

Não há de ser nada, aos poucos eu vou aumentando o meu controle sobre os doces. Não quero ser radical, não vou parar de comer doce, só quero/preciso manter a ingestão de açúcar num  nível aceitável, até porque, cada vez que eu como doce, minha boca e garganta ficam uma secura só 😦

Yoga – tô de volta (?)

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Demorou, foi um longo e tenebroso inverno, hibernando em minha bolha, longe da yoga. Eu sempre tinha mil justificativas para não voltar, até que cansei. Cansei de buscar desculpas – ou será que elas acabaram?

Estava eu aqui, de volta das férias no Brasil, encavernada em nosso apê coreano, quase sem contato com o mundo lá fora, sem vida própria durante a semana, sem amigos (ô drama, rs), quando me deu um estalo (mentira, meu marido é que me deu uma chamada): vou encontrar uma Yoga para estrangeiros aqui perto e, quem sabe, de bônus, conhecer gente nova, fazer amizades.

Notem que eu não pensei “vou procurar…”, decidi encontrar. E encontrei.

Não exatamente o tipo de estúdio que eu procurava, mas uma escola de yoga pura, tradicional, ortodoxa (medo), uma yoga que eu não conhecia. Melhor do que nada, pensei. Já já eu conto os detalhes.

Acabei de voltar da aula (sim, comecei numa sexta-feira – mais emblemático do que isso não existe) e se você me perguntar se eu gostei, desculpa, não saberei dizer. Não ainda.  Entretanto, me matriculei, comprei e vesti a camisa (literalmente) e pelo próximo mês, pelo menos, tenho meu locker reservado no vestiário. O plano, a princípio, é ir duas vezes na semana. Se eu sentir que deu liga, no próximo mês passo a três.  Caso contrário, começo a procurar outro lugar, ou então jogo a toalha e procuro um studio de jazz 😛 Vamos ver.

Por enquanto, tudo o que consigo dizer é que foi uma primeira experiência bem interessante e completamente diferente do que eu estava acostumada. Teve um quê de choque cultural e de “concentra pra não rir, concentra pra não rir” – aliás, entrei no túnel do tempo, tive um mini-flashback do curso de grávidas que eu e Mauricio atendemos em Bloomington, quando o Vivi ainda residia na minha pança. Curso esse que não terminamos, não conseguimos, foi demais pra gente. Abandonamos na oitava aula, quando a professora pediu que levássemos um teddy ou uma boneca para a aula seguinte. Não rolou.

Enfim, só mencionei esse curso, porque logo no primeiro dia, durante um exercício engraçadíssimo de respiração, eu e o marido tivemos uma crise incontrolável de riso e, por conta disso, ficamos conhecidos naquela pequena cidade.

Hoje, agradeci aos céus pelo Mauricio não estar comigo naquela aula. Nem a minha irmã. Nem a minha mãe. Porque eu certamente teria tido outra crise de riso.

Mas vamos ao relato sobre meu primeiro dia de Yoga.

Primeira parte: Encontrando o lugar

Não sei porque, mas aqui na Coréia o endereço é passado de uma forma esquisita. O nome do prédio é muito importante (mas não pra você que não sabe ler em Coreano), o número nem tanto. Ninguém te diz, moro na rua Zé da Couves, 137, apt 302, Bairro das Garças. Em vez disso, eles dizem que moram no Bairro das Garças, na altura das ruas x e y, no prédio Portal do Sol, que fica ao lado da Paris Baguete, ou a 200m da saída 8 do metrô 😛

Claro que assim o Google maps não te leva até lá.

Ai, você pergunta, mas qual o endereço, endereço mesmo (rua, número, andar…).

Opa, agora sim, o Google sabe onde é!

Só que chegando lá, você não encontra o número. Aliás, só pra deixar mais complicado, o nome da rua que te deram não é o nome que aparece no Google.

Anyway, foi mais ou menos isso que aconteceu conosco (sim, no plural, porque o marido, para ter certeza que eu não fugiria do compromisso, me levou pela mão até a porta, rs). Quando chegamos perto do local indicado no mapa, não encontramos o prédio. Aíiiii, maridinho ligou pra lá pra saber onde era exatamente. Neste momento, confirmamos e esperado: o inglês da pessoa era bem limitado. Conversa, vai, conversa vem, finalmente encontramos o prédio. Mas entre chegar e encontrar o local, foram bem uns 10 minutos.

Segunda parte: A matrícula

Me despedi do marido, subi as escadas até o terceiro andar, tirei minhas botas e entrei no estúdio. Fui decidida a começar hoje mesmo, disposta a ir duas vezes por semana. De verdade. Bom, daquele jeito, né? Deu dor de barriga hoje, fiquei gripada ontem, mesntruação tá pra chegar… Pois é, mas aqui a história é outra e a mocinha foi bem clara: “É importante que, especialmente no primeiro mês, você não perca nenhuma aula.”

Em poucos minutos de conversa já deu pra notar que eles levam a yoga muito, muito, muito a sério aqui. Não é um “vou quando der”, é um compromisso, uma religião.

No ato da matrícula, escolhi os dias e o horário das aulas e adquiri a camiseta feinha que dói (aquisição obrigatória), que devo utilizar em todas as aulas. Somos um exército yogi. Nada de leggings coloridas,  tops moderninhos, nem pulseirinhas. Você deve vestir a blusa e uma calça larguinha e confortável (sim, daquelas que eu não uso nem para atender à porta de casa), afinal, yoga não é modinha. Colares, brincos e anéis também são desencorajados (para não dizer proibidos).

Me deram também uma brochura com informações importantes sobre o guru fundador do estúdio e sobre a importância da prática da Yoga ortodoxa (medo).

Me deram uma sacolinha-cubo contendo o uniforme e o strap e me conduziram até o vestiário para que eu me trocasse.

Tudo muito metódico.

Terceira parte: A aula

Gente, a aula.

Entrei na sala, peguei o toalhão (cobertor), o almofadão e, com uma outra toalha em mãos e meu strap, fui em direção ao tapetinho que estava vazio. Forrei o tapetinho com a toalha menor, conforme fui instruída e sentei-me. Sentei nos fundos, ninguém se virou para me olhar/cumprimentar. Calados estavam, calados permaneceram.

Com exceção de um rapaz que estava num cantinho lá na frente, éramos todas mulheres. Eu, a única não coreana.

Havia um tablado vazio lá na frente, imaginei que fosse ser ocupado pelo instrutor, mas de repente, uma voz começa a dar instruções. EM COREANO. Num primeiro momento, achei que estivesse vindo do rapaz no canto lá na frente, mas não era possível, a voz era bem alta e era difícil identificar de onde ela vinha. Não demorou para que a instrutora aparecesse e se instalasse no tablado. A voz que eu estava ouvindo era uma gravação (absurdamente nítida) do guru. A instrutora não abriu a boca a aula praticamente inteira.
Ninguém olha pros lados, ninguém se fala, ninguém troca sorrisos. Yoga é coisa muito séria por aqui. Literalmente.

Pausa para entrar na memory lane: ah que saudade das minhas aulas cheias de energia  e bom humor com a Lisa e com a Yenny. Eu era feliz e sabia disso.

Voltando à aula…

Eu não sabia disso, mas atendi uma aula de yoga Raja  + Mantra, ou seja, não era beeeem o que eu tinha em mente. Muitos mantras, meditação, barulhos estranhos, tapas na cara e caretas. Tive que me controlar horrores pra não ter um acesso de riso.

As poses mesmo não foram muitas e apesar de exigirem bastante flexibilidade, não foi um grande esforço. Algumas poucas vezes, a instrutora se aproximou de mim para dar toques clássicos do tipo “estique mais a coluna e as pernas quando expirar”. Mas foi só isso.

O que mais me incomodou foi não entender nada. Nas horas que todos estavam de olhos fechados, eu ficava tensa, de olhos abertos para saber o que deveria fazer depois. Definitivamente não saí de lá nem um pouco relaxada.

Mais uma pausa: uma das coisas que eu mais gostava nas aulas de Yoga da Lisa era a imprevisibilidade, o mix and match das poses. Parecia tão natural, fluía tão bem. Mas aparentemente esse método é super criticado pelos ortodoxos. Sem surpresas, né?

Enfim, a aula foi. Foi o que? Sei lá. Estranha. Gostar, gostar eu não gostei, mas tô precisando e aparentemente não é fácil encontrar um estúdio de Yoga em que um estrangeiro consiga se matricular sem falar patavinas de coreano, e eu falo exatamente isso: patavinas.

Mas tem mais! Ao final da aula, dobrei o cobertor e comecei a enrolar o tapete quando a instrutora veio se aproximando de mim: “você dobrou a toalha de maneira errada”.

Oi? – achei que fosse pegadinha.

Acreditem, tive que desdobrar a toalha, e, seguindo suas instruções, dobrar novamente.

E antes que eu começasse a enrolar o tapete, ela me explicou como deveria ser feito:

“Você enrola um pouco, enquanto inspira e ao expirar, você puxa em sua direção. Vai repetindo a sequência até terminar de enrolar.”

Sentiu o drama?

Quarta parte: após a aula

Aula encerrada, fui me trocar. Ao sair do vestiário, ela me ofereceu um home made herbal tea, dizendo que sempre que eu terminar uma aula de yoga, preciso manter meu corpo aquecido bebendo um chá ou uma água quentinha.

Enquanto eu tomava o chá, ela me deu vários trechos de um livro para ler. Alguns falavam sobre a metodologia deles, outros sobre o guru, outros sobre o estilo que havia praticado hoje.

Saí de lá com uma lista de palavras que preciso aprender em coreano para as aulas. Sabe-se lá quanto tempo vou levar para memorizar tudo aquilo!

Quinta e última parte: voltando pra casa

Olha, acho que a melhor parte do meu dia vou a volta pra casa, quando, pela primeira vez, peguei um ônibus sozinha em terras coreanas 🙂 Me senti tão livre, tão independente, tão normal. No caminho para o ponto do ônibus, quase parei na quitanda para comprar umas verduras, mas como que ônibus estava chegando e tava super frio, deixei para a próxima.

Se eu conseguir seguir nessa yoga, durante a primavera poderei passear bastante pela região. Por enquanto, acho que será esta minha motivação para sair de casa e enfrentar a prática ortodoxa.

Mas não me precipitarei, na terça, a aula será diferente. Vejamos se é mais parecida com o que me é familiar.


Atualização 07/02/17: Fui a minha segunda aula (Hatha) e… desconfio que só ficarei lá este mês mesmo 😦 O ambiente é muito diferente do que eu estou acostumada. Frio. Silencioso. O staff é todo muito gentil, mas ninguém se fala, se olha,  se cumprimenta… Ninguém troca sorrisos. É inevitável comparar com a Yoga que eu praticava na Austrália, onde eu era recebida com um sorriso caloroso, um abraço… batia um papinho antes da aula e sempre dava risadas (muitas vezes por causa da dificuldade em executar a pose) no decorrer dela.

Mas ó, ainda que essa primeira tentativa não dê certo, eu não vou desistir! Ei de encontrar uma atividade bacana, ainda que não seja Yoga.

Sobre a vida

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No início desta semana, eu voltei ao meu projeto gluten free, lactose free e kind of sugar free, porque desde que chegamos na Coréia, minha alimentação vem descendo a ladeira de tamanco e com a lata d’água na cabeça.

“Mas por que, Erica? Logo agora que você conseguiu recuperar uns 2 quilinhos?”

Porque sim, faz-se necessário. Meu corpo estava pedindo, implorando. Impressionante como comer coisas que eu gosto me faz sentir mal. Dor de cabeça, boca e olhos mais secos, estômago inchado, mal funcionamento do intestino… só pra citar alguns.

Além disso, ainda tem o agravante do vício. Açúcar vicia, eu sou viciada em açúcar e há um ano venho aprendendo a controlar o vício. Como? Retirando o trigo da minha vida.

Quando passo uns dias sem comer trigo e reduzo o consumo de carboidrato, minha gana por doce reduz sensivelmente. Não tenho ímpetos de comer doce no fim do dia e com isso, reduzo o consumo de açúcar àquele que existe nas frutas frescas, o que é super importante já que eu tenho uma predisposição a ser diabética (isso pra não falar que o açúcar agrava a secura da minha boca). Ou seja, é  ganha-ganha.

O leite de vaca é um capítulo à parte. Nem eu, nem você, nem ninguém deveria tomar. Pareço fanática falando isso, né? Mas é verdade. Se há 10 anos, eu tivesse aceitado o conhecimento que tenho hoje, teria tido gestações bem mais saudáveis, partos bem mais tranquilos e, mais importante, não teria dado chocolate/doce pros meninos tão cedo. Nem sei se o teria feito.

O problema é que aqui na Coréia é difícil pacas achar opções saudáveis, gluten free, lactose free, sugar free… então, não consigo achar um pão do bem (adoro pão), nem fazer as receitas que fazia na Austrália. Difícil.

Sendo assim, faço o que dá: voltei a comprar pouquíssimos industrializados (se dependesse de mim, compraria nenhum, mas não dá para tirar tudo, de uma hora pra outra, dos meninos (nem do marido).

Desde domingo até hoje, estava indo bem com o meu retorno à alimentação do bem, até que eu vejo uma noticia no facebook: uma brasileira (amiga de amigos) que morava em Melbourne, casada com um também brasileiro e mãe de um menino de 7 e uma menina de 4 anos, morreu num acidente horrível e completamente estúpido.

Estava saindo de casa para levar seus filhos ao shopping e enquanto tirava o carro da garagem, de ré, bateu no medido de água. Saiu do carro para verificar o estrago, mas esqueceu de colocar o carro no modo “estacionado”. Ela caiu, o carro andou e ela ficou presa de baixo dele. As crianças assistiram tudo. O filho ainda tentou ligar pro pai, pra emergência, mas ela morreu. Ali na frente deles. Ela tinha 32 anos.

Essa notícia horrível me causou uma angústia enorme, um aperto no peito sem tamanho e uma única certeza: a vida é frágil e a gente nunca sabe quando ela vai acabar.

Pode ser daqui a 50 anos, ou 5 minutos. Meu avô, cheio de saúde, super ativo, tinha blog e conta no Facebook, morreu no caminho da sala para a cozinha para tomar seu leitinho antes de deitar. Assim, desligou-se da tomada, aos 82 anos.

Nunca soube lidar com perdas, acho que nunca saberei, mas a verdade é que a única coisa certa nessa vida é que, quando chega a hora, ela acaba. E comprovar a fragilidade dela mais uma vez, com uma história tão estúpida, tão trágica, me fez reavaliar muita coisa.

Há coisas na minha vida que eu queria que estivesse diferente? Sim. E não vou dizer que me conformarei com elas do jeito que estão, não é isso. Mas vou parar de sofrer com isso. Como meu pai sempre diz, a gente só deve se preocupar em resolver o que pode ser resolvido e nem tudo pode ser resolvido de uma vez, ou sem quebrar ovos, ou no momento presente.

“Peraí, Erica, você tá dizendo que essa tragédia horrível te fez decidir que vai, sim, comer chocolate?”

Mais ou menos. O que eu quero dizer é que eu decidi sorver a minha vida, aproveitar ainda mais o tempo com minha família sem culpas nem frustrações, não ficar presa ao que podia ter sido se eu eu tivesse feito isso ou aquilo de maneira diferente e, sim, vou comer chocolate, queijo e tomar meu chai latte. Muito de vez em quando, mas vou.

Continuarei mandando vegetais e frutas pro lanche das crianças na escola, em vez de Oreo e sanduíche de presunto. Continuarei limitando o tempo nos eletrônicos às manhãs de sábado e maybe, duas horinhas no domingo. Continuarei brigando com os meninos quando eles se comportarem mal e continuarei ficando triste quando alguma coisa não sair como planejei. Mas, acima de tudo, estou hoje assumindo o compromisso de pegar leve comigo mesma e não deixar que meus pensamentos, arrependimentos, culpas e situações mal resolvidas tirem o meu sono, tampouco me atrapalhem a desfrutar dos meus dias.

Quero viver plena e ter sempre ativada a consciência de que a vida de todos nós é frágil como um fiapo de algodão ao vento e pode ser levada a qualquer momento para outro plano.

Ainda que tardia, fica aqui a minha resolução de Ano Novo: viver o agora, com responsabilidade, sim, mas sem extremismos que me tirem o prazer das pequenas coisas, sem me deixar dominar por nenhuma frustração, sem privar meus filhos do donut da sexta-feira e sem fazer planos de longo prazo que sacrifiquem coisas importantes no presente.

Ah, para celebrar, hoje à noite, junto com meu chazinho de hortelã, comi quase 100g de mini biscoitinhos (gluten free, para não passar mal) daqueles caseiros recheados com goiabada. Posso lhes garantir que fiquei feliz 🙂

Amanhã temos um jantar na casa do nosso amigo italiano. Ele sempre faz macarrão. Ainda  não sei como farei, porque apesar de eu gostar de macarrão, não me cai nada bem. E não é como se eu ficasse muito feliz após comer uma macarronada, então não é o tipo da coisa pela qual valha a pena sair da linha… Depois eu conto como foi.


Detalhe: os quilinhos que ganhei no Brasil, foram resultado não somente da comidinha excessiva da mamãe, confesso. Tomei muitos baldes de milkshake de ovomaltine no Bob’s, comi coxinha, pão de queijo, cookie, pudim, torta de chocolate da infância, rabanada e tudo mais que não comia desde que resolvi aderir à alimentação saudável. Ou seja, fiz tudo errado, ganhei peso de maneira errada, meus preciosos quilinhos extra que me tiraram do estado caveira, são quilos do mal, do açúcar, do trigo, da gordura, do leite. Mas não há de ser nada, ei de mantê-los com uma alimentação do bem. Ou quase.

Sobre as férias no Brasil – parte 3: lá no sítio

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E aí teve aquela semaninha clássica no meio do mato.

Confesso que eu prefiro a praia, ou então a vida urbana, entretanto, tenho as mais doces lembranças das férias que passava na fazenda, dos passeios no pomar, dos banhos de cachoeira, de acordar cedo para ordenhar as vacas, de ficar cercada de cachorros, de fazer potinhos de argila, de raspar o tacho de doce de goiaba, de subir na jabuticabeira, de dar milho para as galinhas e colher os ovos na manhã seguinte… São tantas lembranças dos dias que passava no meio do mato, sendo criança como criança deve ser e ainda por cima em companhia das primas, que eu não poderia privar os meninos deste contato com o interior/serra.

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No sítio, eles têm uma experiência bem diferente, a começar pelo fato de que a internet lá é, digamos, temperamental, praticamente inexistente. O uso de eletrônicos que já é limitado pela mamãe sargento aqui, lá é reduzido a quase nada, rs.

Em vez disso, eles podem experimentar uma vida diferente da que eles levam, podem aprender sobre a natureza na prática e também ter uma convivência intensa com a família, para suprir a carência do resto do ano.

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A estrada dentro do sítio é bem ruinzinha, o que dá um certo desânimo de ficar no entra e sai, então, aproveitamos essa semana para confraternizar em casa mesmo, mergulhamos de cabeça na vida familiar.

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Teve banho de rio? Teve! Teve o Rick (cachorro) nadando com as crianças? Claro que teve! Teve banho gelado à noite? Ah, teve! Teve até banho especial de chuveirão!

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Teve também muita flor e muita planta linda pelo caminho.

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Teve gente colhendo frutas? Teve! Nickito não podia ver um abacaxi, um pé de limão, uma pimenteira, um pezinho de “pasta de dente”(hortelã)… Passou a semana inteira namorando as abóboras, mamões, bananas e goiabas ainda verdes no pé, rs Deu azar, pobrezinho, que a pitangueira ainda não havia florido. Quem sabe no próximo ano?

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Mas teve mais! Teve comidinha da vovó, a qual devo os quase 3 quilinhos que ganhei (amém!). Aquele feijãozinho que só minha mãe sabe fazer, que é tão bom que sempre merece o brinde à mesa: “feijão da vovó!” rsrsr

Teve muita ida à pracinha à noite, onde eles tocaram o terror com a criançada local. Queimado, Alerta Cor, Esconde-Esconde… e o pior, sem cansar! Teve também muito sorvete a quilo com direito a balas e confeitos (para meu desespero), que a vovó insistia em oferecer e eles, claro, não negavam, rs

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O que mais teve? Teve interação com a bisa, que está ótima e, aos 88 anos, ainda tem uma memória de dar inveja. Teve também rodadas infinitas de detetive/vítima/assassino com a família toda. Teve até a Juju tocando violão pra gente! 🙂

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Ah, quase esqueço, teve também micro caminhada até o Jequitibá gigante, com direito a abraço e pulo comemorativo 🙂

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Só de pensar naqueles dias, morro de saudade.

Mas não há de ser nada, já já a gente volta a se encontrar.


PS. a égua que aparece numa foto lá em cima é a Charlote. Meu pai a resgatou dos maus tratos do dono anterior há pouco mais de um ano. Agora ela pensa que é cachorro, vive rondando a casa e aparece toda tarde para pedir um punhado de milho. Os animais lá do sítio são peculiares, rs

 

Sobre as férias no Brasil – parte 2 e 4: Rio

 

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Desta vez, não alugamos aquele apê esperto no Leblon, primeiro porque a viagem foi decidida muito em cima da hora, o que inviabilizaria encontrar algo que valesse a pena. Depois porque queríamos tentar novamente o esquema vai-e-vem, que está longe de ser o mais relax, mas é o melhor jeito de garantir que as crianças interagirão de verdade com os primos. Imersão total! Pro bem e pro mal, hahaha

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Pois bem, nosso pouso enquanto em terras cariocas, foi na Barra, na casa da cunhada, que nos recebeu maravilhosamente, mesmo com o super short notice.

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Teve muita diversão? Teve! Teve excursão ao Porto Maravilha que fez o queixo cair? Teve!! Teve muito banho de piscina? Teve! Teve praia com mar caribenho, com direito a cardumes? Também teve!

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Teve farra com os primos? Teve! Teve Nickito filando a aula de judô da Olivia? Até isso teve! Teve até capivara cruzando o caminho e parando para beber água na poça da chuva!

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Teve muita água de coco? Teve! Teve caminhada na praia? Teve também! Teve banho de mar? Ô se teve! Teve até coreografia ensaiada e The Voice Kids, hahaha

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Foi muito gostoso ver os meninos brincando com os primos todos e, mais do que isso, interagindo todosantodia com as primas. Foram duas semanas maravilhosas, que eu espero que se repitam por muitos anos 🙂

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