passeio domingueiro: despretensioso e com uma cherry on top

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Após a programação festiva (#sóquenão) do sabadão, resolvemos sair de casa no domingo pra dar uma voltinha, ver as modas.

Mais uma vez, confiei ao marido a tarefa de descobrir onde ir / o que fazer, então já sabe, né? Saímos de casa meio sem rumo (tá, rumo a gente tinha, só não tinha ideia do que encontraria pra fazer, nem se encontraria alguma coisa).

Fomos para a região do Palácio (aquele que fomos noutro dia). Por quê? Só Deus sabe! rs

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O trajeto foi rápido e encontrar um lugar para estacionar foi bem fácil também (apesar do preço não muito convidativo de 1 dólar a hora).

Carro estacionado, nossa primeira tentativa foi visitar o museu de arte que estava… fechado (eu acho). Como assim, o museu fechado em pleno domingo? Pois é, estranhei também e agora, em retrospectiva, me pergunto, será que tava fechado mesmo, ou a gente é que papou mosca? =\

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Mas tudo bem, tava rolando um Flea Market ao longo da via principal, então nem tudo estava perdido 😛

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Atravessamos o jardim do museu e, descendo as escadarias em direção à rua, notamos um amontoado de quinquilharias escada a baixo e eu brinquei: “taí, esta é a única instalação artística que veremos hoje” Só que mordi a língua antes de terminar a frase, e ao chegarmos no nível da rua, meu queixo caiu: era mesmo uma instalação maravilhosa do Bernard Pras que usa sucata, brinquedos, galhos, peças de roupa e todo tipo de tralha para criar instalações geniais. E cá entre nós, o que mais poderia se esperar ver nas escadarias de um museu de arte que não arte? 🙂

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Agora me diz: que tipo de pessoa olha para um monte de quinquilharias amontoadas e não pensa logo que é uma arte genial? Te digo! O mesmo tipo que já viu uma série de instalações artísticas nonsense, de valor muito discutível, daquelas que o camarada fumou um baseado, tomou um chá de cogumelo e materializou sou inconsciente perturbado, rs.  Ah, gente, não é só porque chamam um bagulho de arte que eu acredito #nãosoudessas. Uma vez, uma amiga artista me disse que arte não tem conceito, que arte é uma manifestação sem explicação. Olha, pode até ser, mas tudo tem um limite nessa vida, viu?

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Enfim, desculpe minha piada precipitada, Pras 😉 Três vivas para o trabalho incrível desse artista genial que coloriu meu domingão, porque ainda que não houvesse mias nada de bacana no dia, Bernardinho cuidou de salvá-lo.

Mas, para desespero do Vivi (que prefere ficar em casa), o passeio continuou. Fomos dar um rolé pelo mercado de pulgas e acabamos entrando num Museu que contava a história do  Rei mais revolucionário que a Coréia já teve (não sei se foi o mais revolucionário, mas que o cara estava zilhões de anos à frente de seu tempo, isso estava!) e, olha, foi bem interessante conhecer um pouco da rica história coreana. Cada vez mais entendo o orgulho que este povo tem de suas origens, de sua história. Que história fascinante, de luta, superação, determinação.

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Noutro dia volto para contar um pouquinho do que já aprendemos, senão este post não acaba hoje, rs

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E para encerrar nosso domingo fora, passamos na padaria do HomePlus express, a caminho do estacionamento, só para comprar um docinho pros meninos e saímos de lá uns 50 dólares mais pobres e com uma sacola apinhada de croissant, pãozinho disso, pãozinho daquilo e, atenção”: PÃO DE QUEIJO redondinho, igualzinho ao nosso brasileiro e, para alegria do marido, meus olhos de águia avistaram no cantinho de uma prateleira embaixo do caixa, uma uma porção de pacotinhos de Chessmen. Levamos 6. E esta foi the cherry on top 🙂 Passeio terminou e todos ficaram felizes: as crianças com o donut, eu com o pão de queijo e o marido com o achado do mês 🙂

Que venha a próxima semana que já vai começar com entrega da Ikea (yay!) e maratona no hospital (boo!).

A tristeza da semana que se inicia é que amanhã é 31 de outubro e não teremos trick or treat 😦 Os meninos estão inconsoláveis e eu, arrasada. Oh well… não se pode ter tudo na vida.

Em tempo: o passeio durou pouco porque o frio tá chegando com tudo! Ouvi dizer que esta semana teremos temperaturas abaixo de zero na madrugada. Deus me ajude a não deprimir durante este longo inverno que não tarda a chegar.

 

Programão de sábado à noite

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Você sabe que já não é mais uma moçoila quando:

a- começa a usar palavras dos antigos, como “moçoila”;

b- está acabada às 10 da noite;

c- sai de casa no sábado à noite, enfrenta engarrafamento no estacionamento só para ir ao…. mercado;

d- sente uma alegria profunda quando encontra uma variedade maior de frutas no mercado novo;

e- todas as respostas anteriores.

Pois bem, sábado à noite, fomos ao mercado.

Mas não qualquer mercado, fomos ao e-Mart aqui perto de casa e, aparentemente, outras milhares de pessoas tiveram a mesma brilhante ideia para encerrar o sabadão.

Gente, nem sei quanto tempo levamos para estacionar, só sei que entre sair de casa e voltar pra ela, foram quase 3 horas (isso porque o mercado fica a 10 minutos daqui e não tinha trânsito na rua, só mesmo no estacionamento).

Pensa num lugar cheio, agora coloca mais gente até não dar mais pra circular. Tava assim (nesses momentos sempre lembro dos meus pais que adorar #sóquenão lugares tumultuados).

A coisa tava tão feia que não dava para mudar de ideia e dar meia-volta com o carrinho num corredor, porque o movimento era constante.

Eram 3 ou 4 andares de mercado, sendo que o primeiro era repleto de ingredientes coreanos (de lá, só me serviram o frango, as frutas e vegetais). Peixes secos de todos os tamanhos, outros tantos frutos do mar secos e frescos, algas de diferentes tipos, tofú de toda qualidade imaginável, temperos não identificados e outras tantas comidas e ingredientes que eu não faço a menor ideia do que sejam. Dureza, viu?

No segundo andar, se não me engano, havia uns 2 corredores inteiros dedicados a noodles! Não é piada.

O pior são as demonstradoras insistindo para eu experimentar coisas estranhas – oh, Lord! Ao contrário dos meninos que já entram nos mercados procurando as demonstradoras, eu fujo delas, rs Além de não curtir experimentar essas comidas (vai que eu não gosto?), ainda me sinto obrigada a levar o produto para não deixá-las triste.

Aliás, entre parênteses, ao contrário do Brasil, onde colocam mocinhas bonitinhas e simpáticas para fazer essas demonstrações nos mercados, aqui colocam senhoras, daquelas que praticamente te cercam. Se isso não é uma diferença cultural gigante, não sei mais o que pode ser.

Anyway, ir ao mercado sempre me estressa, não só pela dificuldade de encontrar nossas comidas, como também pelos preços. Desta vez, gastamos quase 500 dólares, o que me causa sempre dor de cabeça. Pelo menos, foi a primeira vez que conseguimos fazer compras maiores – teve que rolar um tetris para acomodar tudo na cozinha 😛

Em três meses, foram 4 mercados grandes diferentes, sem falar do caminhãozinho que para aqui em frente quase todos os dias e da vendinha da Dona Maria aqui do lado. Aos poucos vamos descobrindo os melhores lugares para as compras e, cada vez mais, tenho certeza de que não há a menor necessidade de ir ao Costco. Amém!


Em tempo: notaram, na foto acima, a diferença absurda nos tamanhos da tangerina e da maçã? A tangerina é minúscula e a maçã, gigante! Coisas de Coréia 🙂

Rapidinha – Vinny’s new haircut

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Hoje, finalmente, Vivi visitou o salão para ter suas madeixas aparadas (ou devastadas? rs).

Passei o bastão do undercut, já que agora não temos mais quintal e ninguém merece cortar cabelos dentro de casa, né? rs

Além de ter passado o bastão (ou deveria dizer a máquina e a tesoura?), passei também a incumbência de levá-lo ao salão ao pai, mas não sem antes garimpar duas fotos no Pinterest para que não houvesse dúvidas na hora da execução: uma com o overall do look e outra com o detalhe da linha na lateral. Fora isso, expliquei pros dois (pai e filho) como deveriam instruir a pessoa.

Fiquei um pouco apreensiva, confesso, ansiosa até eles voltarem, mas no fim das contas, deu tudo certo 🙂 e, mais importante, Vivi ficou todo feliz com seu corte supercool e já me pediu para comprar wax para manter o penteado nos trinques, rs

O engraçado é que ele não tá nem aí para a forma como se veste, a ponto de eu sempre ter que mandá-lo trocar de roupa, porque “desse jeito você não sai comigo” hahaha (lembro tanto do vovô William!), mas quando o assunto é cabelo, o rapazinho se dedica, se preocupa (mais uma vez, me lembra o vovô William – ou das histórias de quando o vovô tinha cabelos, rsrsr).

Bom, dá licença, porque eu tenho que encomendar uma wax kids friendly pro meu nem-tão-pequeno 😉

 

Rapidinha – estacionando em local proibido

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Ainda não sabemos direito como identificar onde podemos ou não podemos parar o carro, então, quando acontece de pararmos o carro na rua, o fazemos na sorte.

A primeira vez foi bem tranquila, era quase noite de uma sexta-feira, encontramos uma vaga na rua bem em frente ao restaurante e confirmamos com o garçon se estava ok. Beleza, ponto pra gente!

A segunda vez não foi tão beleza assim…. Estávamos numa outra regiãozinha, também aqui em Yeonhui-dong, vimos um carro saindo da vaga ao longo da rua e paramos ali. Não ficamos mais do que uma hora na vaga, foi só uma parada para almoçar (num dia de semana). Quando voltamos, estranhei os limpadores de para-brisa estarem levantados. Ao entrarmos no carro, veio um rapaz falar conosco, como quem quer avisar alguma coisa. Quando viu que não entendíamos patavinas, ariscou umas palavras em inglês: “no parking”(fazendo o sinal de x com as mãos) e, apontando para a loja em frente, completou: “very mad”.

“Ahhhh, então foi isso!” Pedimos desculpas, entramos no carro e partimos.

O interessante é que a indignação coreana leva o sujeito a… levantar os limpadores de para-brisa! Chega a ser romântico, né não? Fosse no Brasil, os quatro pneus estariam furados e a lateria, no mínimo arranhada. Mas aqui, não. Aqui, o sujeito fica bravo, com toda razão (malditos estrangeiros!) e… levanta os limpadores de para-brisa em sinal de protesto.

O detalhe é que em nenhuma das duas situações havia nenhuma placa, nada que indicasse poder ou não parar ali. Como saber?

Por via das dúvidas, evitaremos parar na rua. Melhor morrer numa grana nos estacionamentos do que fazer inimizades por aqui, rs.

Anyway, mais uma coisa para adicionar a minha lista de motivos para sorrir aqui na Coréia: a educação/cultura. Até para protestar, são cordiais.

PS. Sempre que vamos a este restaurante (muito bom, por sinal), os rapazes que trabalham lá (e donos, talvez) fazem um bow tão caprichado que eu me sinto com 80 anos de idade -aqui na Coréia há um respeito enorme pelos mais velhos. Quanto mais velha for a pessoa,  maior é o respeito dispensado a ela, logo, mais marcante é o bow feito pra ela. =\


Em tempo: em frente ao restaurante onde almoçamos (no qual já somos conhecidos), tem uma árvore de caqui carregada! Pelo visto, caqui na Coréia está para banana no Brasil 🙂

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Ikea – pela terceira (ou seria quarta?)vez em menos de 3 meses

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É uma viagem ir à Ikea. Quase uma hora pegando vários trânsitos pelo caminho, mas fazer o que se nossa sueca favorita é fundamental a nossa existência expatriada?

Desta vez fomos devolver uns itens (já falei que amo a flexibilidade da Ikea no caso de você simplesmente mudar de ideia?) e comprar outros tantos, dentre eles mais um sofá, porque o marido está sentindo falta de mais espaço para esticar as pernas e relaxar, sem ter que dividir o espaço com os meninos, rs

Saí de casa com a lista pronta e já sabendo onde coletar cada item, mas… é praticamente impossível voltar da Ikea somente com os itens da lista. Especialmente quando (finalmente!!!) inauguram a seção mais aguardada (por mim): itens de cozinha! Panelas, louças, copos, taças, garrafas, jarras, etc… fiquei tão excited que mandei um text pro marido: “agora tem panela na Ikea!!” As pequenas grandes alegrias da vida, rsrsrs 🙂

Eu que estava super acostumada a ter de tudo na Ikea da Austrália, cheguei aqui meio frustrada, porque na única loja da Coréia, que por sinal foi inaugurada no ano passado, faltava tanta coisa que dava até desânimo. Veja bem, só quem é expatriado sabe o verdadeiro valor de se ter uma Ikea completinha perto de casa. Preços acessíveis, flexibilidade para trocar ou devolver itens e design bacaninha são motivos suficientes para eu ser eternamente grata pela existência dessa mega loja que nos permite sentir em casa onde quer que estejamos, rs. Não só porque ela está presente numa infinidade de países, mas também porque nunca fui a uma casa expatriada que não tivesse, pelo menos, um par de itens da mega sueca 🙂

E agora vem a novidade: nós, que nunca fomos de comprar no mercadinho da Ikea, desta vez fomos à loucura! Culpa da Coréia que não nos oferece muitas (nem poucas) opções ocidentais. Ao final das nossas longas compras na loja, maridinho partiu pro mercadinho sueco e voltou com uma sacola lotada. Só de chocolate foram 12 barras! Isso porque eu nem ligo mais para chocolate… mas a escassez é tão grande que é melhor estocar, até porque acho que este ano não voltaremos mais lá. A menos que seja para comprar uma árvore de Natal. Contei que deixamos a nossa pra trás, sem querer??

Anyway, 3 vivas para a Ikea, por favor 🙂

Pegaram o ladrão!

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Lembra do meu post sobre o assalto aqui no prédio? Então, pegaram o ladrão. Não me pergunte como, mas encontraram o meliante e prenderam.

Casos como este são tão raros aqui, que sempre que ocorrem são solucionados.

Parece que o caso foi super amador, quase um conto romântico.

Em torno de seis da manhã, o tal ladrão vinha andando pela rua e avistou uma janela aberta. Pulou a mureta e entrou. Enquanto todos na casa dormiam, ele procurou por dinheiro e como não encontrou, resolveu acordar o dono da casa. Não sem antes ir até a cozinha, abrir a gaveta e pegar uma faca.

Com uma faca em uma mão e uma lanterninha na outra, entrou no quarto e, iluminando o rosto do rapaz que dormia serenamente, o acordou no suste, pedindo dinheiro (acho). O rapaz que é chinês não entendeu patavinas (imagino) e, com um movimento brusco, de quem se assusta, induziu o meliante (ou o maluco) a feri-lo com a faca (da sua própria cozinha).

Por fim, meu vizinho e o casal de amigos que o estavam visitando (bad luck, huh?) amarraram-se uns aos outros e o ladrão levou todo o dinheiro e passaportes que encontrou.

Meu vizinho ficou bem abalado, claro, mas como estamos na Coréia, todas as providências foram tomadas. Não só tivemos policiais de plantão aqui por uma semana, como rapidamente toda a segurança de nosso pequeno prédio foi revista, câmeras checadas, grades instaladas… enfim, acho que este episódio não se repetirá.

Oremos.

E não é que tem Brasileiro na Coréia?

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Ontem foi minha estreia no encontro de brasileiras aqui na Coréia e, para minha surpresa, somos em maior número do que eu poderia supor 🙂

Lembra dos ovos que me lavaram ao salão? Então, eram pra fazer uma torta salgada para levar para este encontro que reúne mulheres de idades, perfis, backgrounds e histórias tão diferentes. O que nós temos em comum? Somos mulheres e moramos na Coréia 🙂

Foi tão bom sair da caverna! Conheci tanta gente bacana, tanta gente querida. Valeu muito a pena tirar o dia de folga e lutar contra a inércia, lutar contra a falta de vontade de sair de casa.

Foram 4 horas de muita conversa (mulher quando se reúne fala, mulher brasileira quando se reúne, meodeos! rs) regada a muita comida gostosa (e não coreana, rs). Teve até bolinho de bacalhau, quibe e pão de queijo (manhê, se prepara porque quando formos ao Brasil da próxima vez, vou trazer uma mala só de comida! A lista tá gigante já).

Olha, a comida aqui tem sido um desafio bem grande. Tão grande que tá mais fácil eu sentir desejo de comer hamburger do que green curry (pasme!). Tô sentindo muita falta de comida “normal”. Em Melbourne, a gente encontrava de absolutamente tudo. Não sentia falta de absolutamente nada. Minha mãe até achava estranho eu não voltar do Brasil com a mala cheia de comida, rs Não levava absolutamente nada de lá. Agora a história vai mudar, porque não se encontra farinha de mandioca, nem polvilho para pão de queijo. Algumas poucas coisas encontramos na sessão de internacionais em mercados maiores, outras compro no iHerb.com a preços indecentes (dado o tamanho reduzido do pacote), mas em geral é bem difícil, viu? E sabe oque me ocorreu agora?? O Natal tá chegando e aqui não tem minhas renas de melteaser!!!!!! Socorrooooo!!!! Encomendando da Austrália em 3, 2, 1!

E olha eu mudando o rumo da prosa! “Só pensa em comida, Erica!” Aff… Tenho estado assim…

Mas voltando ao encontro… foi ótimo, embora as brasileiras daqui sejam muito diferente das minhas brasileiras de Melbourne (tô com saudade, gente, fazer o quê?).

Conversei bastante com algumas pessoas e adorei todas elas. Ô mulhereda sweet, cheia amor no coração 🙂 Me senti abraçada e acolhida. Elas são tão fofas que neste encontro mensal, não só celebraram as aniversáriantes do mês, como organizaram um chá de bebê para as duas gravidinhas do grupo. How sweet is that?

Claro, não sei os nomes de todas, nem tive oportunidade de conversar com mais que meia dúzia, mas estou desejando estreitar os laços e marcar outros encontros, com grupos menores, para conhecer melhor essa galera tão gente boa.

Que venham muitos outros encontros e que a gente saia de uma vez por todas deste estado de isolamento social, rs

Em tempo: Quando mostrei a foto do encontro pro Vivi, ele arregalou os olhinhos e disse: “Wow!! I guess we are not alone!”  – parece que mais alguém está sentindo falta de ter a casa cheia de amigos 🙂

 

Finalmente nos palcos

img_0326Dos vídeos no Youtube pros palcos do colégio 😛

Vivi está empolgadíssimo, desde segunda-feira, quando particupou de um teste para a encenação de fim de ano na escola e foi selecionado. Tá, não era assim uma competição super acirrada, mas meu nem tão pequeno foi um dos 30 escolhidos, dos mais de 100 que participaram (e sim, eu tô super orgulhosa do desempenho dele!).

Ele começou preguiçoso, quase desisstiu de participar, dizendo que estava com medo de não conseguir memorizar as falas. Na hora de escolher o script, me pediu pra imprimir o que tivesse menos texto, mas eu me recusei, não aceito esse grau de preguiça. Acabei escolhendo um personagem que parecia mais com ele, um bem gaiato.

Ele memorizou a meia dúzia de falas rapidamente e depois de alguns poucos ensaios em casa, estava com a interpretação perfeita (esse menino realmente nasceu pros palcos).

Na segunda pela manhã, lá foi ele para a audition, um tanto nervoso porque não sabia o que lhe aguardava. O medo de não ser escolhido estava latente. Mas como disse pra ele, ele estava bem preparado, bastava manter a calma e fazer como fe em casa. Se o papel tivesse que ser dele, seria. E foi 🙂

Na segunda à tarde, quando fui buscá-lo no ponto, ele ainda tentou me enganar, fazendo cara triste e dizendo “mamãe, eu não fui selecionado”. Mas antes mesmo que eu pudesse falar qualquer coisa, ele emendou: “I tricked you!!!” Passei no teste!!!

Ele não apenas passou no teste, como a professora lhe deu outro personagem, com mais participações, tamanha foi sua desenvoltura. Agora Vivi será o nerd que vence o spelling bee contest. A-do-rei! 🙂

Mal posso esperar até o dia 16 de dezembro para ver sua atuação nos palcos do colégio (que por sinal, é um belo teatro).

Quem sabe no ano que vem, a gente até encontra um curso para que ele desenvolva ainda mais sua veia dramática, ou melhor, para que ele canalize sua veia dramática para os palcos e fique mais blazê em casa 😉

PS. A foto acima é dos novos personagens do canal do Vivi no Youtube: Jeff & Dash. Esse menino vai longe 🙂

Minha primeira vez num salão na Coréia

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Não sem sem motivos que dizem que a primeira vez a gente nunca esquece.

Hoje fui, pela primeira vez, a um salão aqui na Coréia. Quase 3 meses depois de chegar aqui, com a raíz quase nas pontas e as madeixas, como diz uma amiga, parecendo cabelo de boneca velha.

Mas porque esperei tanto? Medo! Medo dos incontáveis depoimentos que li em diversos blogs de expatriados sobre o mal jeito com cabelos não asiáticos (aliás, que raiva desses cabelos asiáticos que são pura queratina, viu, rs. Vai ter cabelo saudável assim aqui na Coréia!).

Anyway, as histórias eram escabrosas e meu medo só aumentava a cada post que eu lia. O salão mais bem recomendado ficava em Gangnam (sim, da famosa música do Psy), que fica distante de onde a gene mora, o que dificultava ainda mais eu tomar uma iniciativa.

Até que um dia (hoje), acordei, abri a geladeira e não tinha ovos (e eu precisava de ovos apra fazer uma torta salgada para levar para um encontro de brasileiras que eu iria no dia seguinte).

Eu nunca saio de casa durante a semana. Tô sempre trabalhando em frente ao computador. Mas neste dia, olhei lá pra fora e, estimulada pelo céu azul e o sol brilhando em pleno outuno (final de outubro já!), saí para comprar ovos e, como eu tabém precisava comprar frango e leite condensado (que receita é esse, Erica? rs), resolvi fazer uma caminhadinha de 15 minutos até o mercado, em vez de ir na lojinha da Dona Maria aqui do lado  (claro que o nome da Dona não é Maria, mas é assim que chamamos a quitanda, rs).

Não era eu que sempre reclamava do fato de não poder ir andando a lugar nenhum, em nossa suburban life in Melbourne? Aqui eu posso, veja que maravilha! Mais um ponto pra Coréia e mais um item para adicionar àquela listinha de motivos para sorrir 🙂

Anyway, fui caminhado pela rua fria porém ensolarada e quando estava para atravessar e pegar a transversal que me levaria ao mercado, avistei o Toni&Guy. Pensei: Quer saber? Vou entrar. Se eles puderem me atender agora, eu corto, tonalizo e ainda faço um tratamento. Se eles não puderem me atender na hora, será um sinal divino (note que o Mauricio cortou o cabelo ali há um mês e eu não só não gostei do corte, como ele não foi atendido na hora – teve que retornar duas horas mais tarde).

Entrei. Fui saudada com um Hello e atendida de pronto (talvez porque fosse uma segunda de manhã bem cedo).

Agora, posso confessar? Foi tenso!

Como seguro morreu de velho, pedi apenas para cortar as pontas e tonalizar para disfarçar meus companheiros da idade. Imagina se eu ia, logo de cara, partir para um corte ousado e uma cor permanente? Quando ela me perguntou se eu queria layers, meu coração disparou e até alterei a voz “Não, por favor, só trim the ends”.

Sabe quando a pessoa pega no seu cabelo e você tem vontade de sair correndo? Então…

Ela cortou meu cabelo a seco, literalmente, o que já me deu uma gastura. Depois, na hora de aplicar o tonalizante (que aqui eles chamam de hair manicure), a mão era leve demais, não tinha pegada, sabe?

Ela puxava papo, nós conversávamos, mas eu estava com os ombros rígidos de tanta tensão. Do princípio ao fim, não relaxei um segundo. Não parava de pensar: “nunca mais volto aqui, nunca mais volto aqui”.

Pontas aparadas, tonalizante aplicado, tratamento feito, era chegada a hora de secar: “você quer liso ao cacheado?”. Ondulado! E o mais natural possível, por favor.

Começou outro estresse: nunca na vida vi alguém fazer “escova” daquele jeito. Se é que pode-se chamar de escova, rs. Não sei nem relatar direito o que aconteceu. Eu tava tão nervosa que, num determinado momento, quando ela estava dando volume ao meu cabelo (oi??), gentilemnte interrompi, parti meu cabelo ao meio e pensei: “sem topete, por favor”, rs – falei: eu prefiro meu cabelo partido ao meio (com um sorriso tenso).

A aprtir daí, fechei os olhos e deixei a correnteza me levar (ainda pensando: nunca mais volto aqui, nunca mais volto aqui…)

Mas sabe de uma coisa? No final das contas fiquei extremamente surpresa e tenho que dar meu braço a torcer que o resultado foi muito, muito, muito melhor do que eu esperava (talvez porque eu esperasse sair de lá feito o monstro da lagoa negra, rs).

No fim das contas, a cor ficou ótima (tava super tensa, porque disse que queria um marrom quente e ela sugeriu um castanho escuro, mas acabou que ela misturou os dois tons e ficou perfeito). As pontas foram lindamente aparadas, ainda que a seco (palmas pra ela) e o tratamento, apesar de não ser uma reposição de queratina, deu uma melhoradinha no cabelo de boneca velha, rs.

Para não dizer que saí de lá saltitando de alegria, notei que uns fiozinhos ainda estavam reluzentes, mas quer saber? Ainda tava no lucro! Finalmente relaxei e pensei: mês que vem volto aqui 🙂 E quem sabe até mesmo tento uma cor permanente?

Ah, esqueci de comentar que antes de sentar, dei uma negociada básica no preço – ai que vergonha, a estrangeira mão de vaca! Nunca fiz isso na vida! Mas vejam bem, não foi intencional. Quando ela me deu o rpeço total pelos serviços todos, fiquei pensativa, parei, fiquei olhando pro infinito… até que ela me perguntou: “você está pensando porque achou o preço caro?” Eu respondi (quase envergonhada): sim… (mesmo sabendo que Toni&Guy é caro em qualquer lugar do mundo e que o preço ali estava mais barato do que na Austrália). Então, veio a oferta: hoje, posso fazer pra você por tanto (um desconto considerável!). “Okay, deal! Thanks (com um pouco de vergonha)”

E não pára por aí. Quando eu estava indo embora, ela me deu seu cartãozinho e disse, da próxima vez, se você fizer o tratamento novamente, faço pelo mesmo valor. Acho que ela me ganhou né? 😛 #nuncafuipãoduramasagoraeusou

 

Mi casa, su casa

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Chegamos aqui faz mais de 2 meses e a casa ainda não está pronta. Quadros por pendurar (as paredes aqui são de concreto/alvenaria e não temos ferramentas adequadas), cortinas e prateleiras por instalar, pequenas obrinhas por fazer… mas, já dá pra chamar de casa (casa desordenada, mas casa).

Aqui vai uma pequena amostrinha, em ângulo bem fechado, mostrando apenas a parte mostrável 😛

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Paquerei esse sofá por tanto tempo, durante nossos anos de Austrália, que não poderia ter saído de lá sem ele. Deixei o amarelão pra trás e comecei uma nova fase.

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O azulão veio conosco. Este eu não vendo, não troco, não dou. É meu e vai comigo pra onde eu for 🙂

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Tô numa fase mais natural, apostando mais na madeira, no sisal e na folhagem verdinha, mas também sinto falta das cores (o amarelão tá fazendo falta e eu tô doida pra pincelas um móvel ou uma parede numa cor bem vibrante).

O bacana de mudar de casa, de país, de vida, é que a decoração reflete a nova fase. AS coisas mudam de lugar, ganham novos usos. O quadrinho que ficava na parede agora fica sobre a mesinha de centro e virou apoio para copos, por exemplo.

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Adoro os detalhes e acho que são eles que fazem de uma casa a minha casa.

Para cobrir uma parede horrorenda deste apartamento, a solução mais em conta que arrumei foi comprar 3 estantes. Nelas coloquei toda minha tranqueira amada e, para finalizar, troquei os puxadores e ainda pendurei recordações neles.

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Fotos, livros, pequenos objetos, caixas que guardam memórias, tudo aqui é cheio de história, sentimento, significado. Nada é aleatório ou simplesmente decorativo, cada pedacinho reporta um momento, um caso, tra’s uma lembrança. Minha casa é um acumulado de lembranças.

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E assim vou construindo, de pouquinho em pouquinho, a cara da minha casa que, apesar de ainda estar meio de pernas pro ar, já mostra aqui e ali, pedacinhos da nossa família, da nossa história.

No momento o que mais está me incomodando é ter meus quadros todos encostados num canto. Casa minha sem quadros nas paredes não é casa minha.

Assim que conseguir pendurá-los, eu volto para mostrar mais.


Ainda quero visitar o mercado de antiguidades aqui para garimpar uma mesinha lateral e uma console para a entrada 🙂