O dia em que os meninos chegaram em casa sozinhos

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Todas as manhãs, às 6:40, o Mauricio sai de casa para levar os meninos ao ponto do ônibus escolar, que passa pontualmente às 6:47.

Todas as tardes, pontualmente às 3:55, desço para buscá-los no ponto e o ônibus que deveria passar às 4, geralmente passa às 4:15.

Noutro dia, o marido comentou que o motorista disse que não precisamos chegar tão cedo no ponto para buscá-los, porque ele nunca chega ali antes das 4:15. Nesse dia, resolvi sair de casa às 4:05 (o ponto fica a 2 min da porta de casa, incluindo o tempo de elevador/escada).

Eis que às 4:03, para minha total surpresa, os meninos entram em casa.

Eu: Como assim?? O que aconteceu?

Nick: você não estava no ponto, mamãe!

Eu: mas vocês nunca chegam a esta hora!

Nick: não faz mal, o motorista trouxe a gente até aqui…

Eu: ele parou o ônibus e trouxe vocês até o prédio??

Nick: sim

Não acreditei! O cara não só estacionou o ônibus num lugar que não pode estacionar, como deixou uma menina lá, dormindo (!), pra vir deixar os meninos aqui. Tá, a menina é bem mais velha, high school talvez, mas ainda assim, achei surreal ele ter preferido trazer os meninos aqui a me esperar.

Coisas de Coréia, acho eu.

Comfort food – um pedacinho da Austrália na Coréia

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Comfort food pra mim é aquele que me faz sentir em casa.

Quando saí do Brasil para morar nos EUA, algumas comidas me mantinham ligadas ao ninho, à cozinha da minha mãe: gnocchi, torta gelada de chocolate, frango com laranja, salada de macarrão, farofa carregada, rocambole de carne, pudim de leite, fetuttini ao creme de leite carregado na linguiça calabresa, cebola e azeitonas… Toda vez que eu fazia alguma comidinha do cardápio da minha mãe, me sentia abraçada.

O tempo passou e já com um filhotinho à tiracolo, nos mudamos para Austrália, onde logo nasceu o segundo. Meu cardápio foi mudando, se ajustando a nossa vida, aos novos costumes adquiridos, à exposição às diferentes culturas. Fui criando minhas fusões e  incorporando  novos gostos ao meu repertório de receitas. Mais do que isso, fui mudando alguns hábitos alimentares, trocando, por exemplo, o mamão papaia e o pãozinho francês com queijo minas acompanhado de um copo de ovomaltine ou suco de laranja, por ovos fritos com tomate e espinafre refogados, finalizados com fetta e salmão defumado e acompanhados de uma xícara de chai latte.

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Hoje, pra mim, comfort food é um chai latte bem cremoso e perfumado (ainda não encontrei um boa aqui), é salmão defumado na ciabatta, são ovos bennedict com molho hollandaise, é green curry, é suco de melancia, abacaxi e laranja, é french toast, é minha beringela de forno, meu refogado de abobrinha. Claro que o queijinho minas, o ovomaltine, e todas as comidinhas da mamãe ainda me levam pro ninho de origem, mas tem horas em que tudo o que eu preciso é me sentir em casa, na minha casa, naquela que eu criei e não daquela de onde eu vim. E nessas horas, é meu novo repertório que me abraça.

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Esta introdução longa foi apenas para dar uma noção do quão feliz eu fiquei hoje com nosso brunch no Espresso Haus, um café que serve, segundo ele mesmo anuncia, “homemade australian brunch”. Sério, divino! Me senti em casa. Mais em casa, arrisco dizer, do que se tivesse ido a uma churrascaria. E olha, hoje eu realmente estava precisando disso.

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Tudo o que pedimos estava delicioso – aliás, até agora, todos os restaurantes e cafés que fomos, seja qual for a origem, são nota 10, impressionante. Pra completar, assim que sentamos, coincidentemente começou a tocar MPB nas mais suaves e lindas vozes. Morri de amores instantaneamente. Comida boa, música boa e ambiente delicioso dentro de um prédio histórico. Reclamar do quê, não é mesmo? Só se for do cansaço extremo que tenho sentido, das tonturas que tive hoje, do estresse que me acompanha e dos ataques do Nick que além de andar nos tirando do sério já há algum tempo, insiste em dizer que não consegue mais ser bonzinho. Mas hoje não vou reclamar, vou apenas agradecer. Agradecer pela comfort food que, por um momento, me levou de volta para minha casa australiana. Amém!

De um dia pro outro

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Desde que chegamos, temos tido tempo quente, muito quente, todo santo dia. Até quando chove, a temperatura permanece acima dos 30 graus. Bem, eu não reclamo. Call me crazy, mas no que depender de mim, nem o ar eu ligo.

Sabe que hoje amanheceu fresquinho? Vinte grauzinhos apenas. Os meninos, mal acostumados até reclamaram de frio, veja você.

O mais interessante é que a temperatura mais amena veio acompanhada de um céu azul que ainda não havia visto nestes 26 dias em Seul. O céu está simplesmente divino! Mal consigo parar de olhar pela janela 🙂

Aliás, por falar em janela, hoje pela primeira vez, abrimos as nossas. E que delícia a brisinha fresca entrando de leve e balançando os galhinhos mais finos da árvore em frente ao meu office. Assim dá até pra ser feliz 🙂

Bom, só passei aqui pra deixar este registro de satisfação. Nem só de reclamações vive Minha Vida Coreana 🙂

PS. Foi só abrir a janela pra sentir um cheirinho gostoso do almoço de alguém. Cheirinho de bife acebolado 🙂 Voltei no tempo, lá para a nossa primeira temporada em Barcelona, onde todo dia no almoço, o vizinho fazia um bife cheiroso.

Abraçando estranhos

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Ontem à noite, não fizemos fumaça em casa, era simplesmente impossível abrir a geladeira, que dirá preparar o jantar?

Fomos caminhando até nosso mexicano favorito e demos a sorte de encontrá-lo aberto e com uma mesa nos esperando. Mas não é bem este o assunto que motiva este post.

No meio do caminho, vinha uma senhorinha coreana no sentido oposto ao nosso. Ela vinha certeira, como quem traça uma reta e não muda de maneira nenhuma a sua trajetória. Em respeito, chegamos pro lado para ela passar, mas assim que o fizemos, ela mudou sua trajetória e, como um míssel, mirou nos meninos. Conforme foi se aproximando, começou o movimento de abrir de braços tão largo quanto o sorriso no rosto. Foi certeira no Nick, que para minha total surpresa, abriu também os braços e a abraçou como se fossem velhos conhecidos (e quem disse que não são, não é mesmo? vai saber…). Até o Vivi entrou na dança. Ela abraçava, olhava pra eles, abraçava novamente, conversava (sei lá o quê), tentava nos perguntar alguma coisa que não conseguíamos compreender (mais tarde deduzimos que ela estava se apresentando e perguntando nossos nomes, mas nós somos muito tapados na linguagem dos gestos). Durou tanto este encontro e foram tantos os abraços que o marido teve tempo de registrar em uma foto histórica 🙂

O melhor da foto foi o sorriso genuíno do Vivi. O momento foi tão engraçado, tão inusitado que gerou os mais lindos e sinceros sorrisos 🙂

Nos despedimos e seguimos nosso caminho. A fome estava grande!

Mas os encontros culturais não pararam por aí. Mais tarde, voltando do jantar, paramos num café para tomar um chai latte (que, por sinal, não curti) e na saída, enquanto tentávamos pegar um taxi, um cara se aproximou, se agachou perto da gente e, apontando pros meninos, repetiu umas 300 vezes: “big eyes! beautiful! very beautiful!” Estava completamente encantado, não conseguia parar de falar as poucas palavras que seu inglês o permitiam. Esse não era coreano. “not korean, chinese”, ele disse, apontando pra ele mesmo. E, repetindo outras 300 vezes que os meninos eram lindos, complementou: “chinese kids no… very little eyes… your boys: beautiful”. Tentei ainda ponderar que eram belezas diferentes, que eu achava as crianças orientais lindas e tal, mas ele não entendia bem inglês. Ficou por isso mesmo.

Finalmente conseguimos pegar um taxi e voltamos, devidamente abraçados e elogiados, para nosso novo lar que ainda não está doce, mas vai ficar 🙂


Em tempo: Sobre a chegada da mudança, Nickito ficou tão, mas tão feliz em ver seus brinquedos que foi logo oferecendo papazinho. Outro momento sem preço foi ver seu reencontro com o xbox, que ele não jogava havia mais de dois meses, porque ainda na Austrália eu vetei, por motivos de mal comportamento. Aos pouquinhos, a vida vai ficando melhor.

Nossos pertences chegaram

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Nossos pertences saíram da nossa ex-casa na Austrália, no dia 22 de julho e chegaram aqui ontem, dia 23 de agosto. Em nossa experiência, tempo recorde!

O mais interessante é que, agora, ao escrever esta primeira frase, me toquei que não faz nem um mês que chegamos em terras coreanas. Esta tarde, completaremos 25 dias em Seul. Vinte e cinco dias que parecem uma vida inteira. Tanta coisa já aconteceu até aqui… não há um dia que passe, sem que aconteça alguma coisinha diferente. Esta é uma das belezas de mudar, de sair da sua zona de conforto: sua vida vira um livro (ou mais um blog) de histórias 🙂

Ontem, passamos o dia inteiro por conta da chegada da mudança. Checando cada caixa que entrava, abrindo e esvaziando uma por uma. É tanta, mas tanta coisa, que nem parece que deixamos mais da metade dos nossos pertences para trás.

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A casa está de pernas pro ar. Cada ambiente tem muito mais do que consegue comportar, inclusive, ainda não conseguimos dormir em nossas camas, tamanha é a bagunça. A minha cama está tomada por roupas, porque não temos armários que cheguem (e nem lugar para colocar outros). Ou seja, continuamos acampados, agora numa casa lotada, onde até para andar está complicado.

O marido iniciou um processo de coloca roupas e sapatos dentro de malas para abrir só no próximo verão: “vai ser ótimo! Quando abrir a mala, vou me sentir como se tivesse ganhado roupas novas” – tome de Pollyanna, rs

Meus sapatos, mal couberam no armário da entrada (próprio para isso). Minhas bolsas não tenho onde enfiar, vou acabar doando tudo 😦

Nossas malas ficam empilhadas num canto na lavanderia.

Nossos quadros todos não sabemos onde pendurar, porque os detalhes decorativos fixos da casa, nos impedem de organiza-los (não há de ser nada, assim que conseguir colocar os quartos e sala em ordem, vou chamar um faz tudo aqui para marretar tudo e abrir espaço para, pelo menos a metade deles).

A boa notícia? Consegui, na base do Tétris, coloquei ordem na cozinha, já está tudo em seu devido lugar e ainda sobrou um armário para usar como despensa (o que me faz lembrar que precisamos urgentemente ir ao mercado).

Ah, a felicidade… ela realmente mora nas coisas mais simples. Se bem que não sei se dá pra dizer que organizar 12 caixas cheias numa cozinha pequena é uma coisa simples, rsrsrs.

E vamo que vamo, porque o tempo não para e ainda há muito a ser feito.

 

GS25 – nossa loja de conveniência

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Acabou a pasta de dentes? Deu vontade de comer um chocolate? Tomar um iogurte? Tem sempre uma GS25 por perto pra te salvar. Normalmente essas lojinhas de conveniência têm preços bem inconvenientes, né não? Pois hoje me surpreendi.

Passei na GS para comprar absorvente diurno e noturno e aproveitei para pegar um chá gelado. No caixa, a menina que, obviamente já me conhece, porque me viu passar inúmeras vezes em frente à loja, começou a falar comigo. Ela mostrava os produtos, fazia um gesto e eu não entendia nada. Até que ela finalmente arriscou no inglês: two! One more!

Todos os 3 produtos que peguei estavam na promoção: pague um e leve dois. How lucky am I? O preço já estava bem honesto, depois da promoção, ficou quase de graça.

Mas o mais interessante foi a honestidade da pessoa que vendo que eu não notei (ou não entendi mesmo o que dizia a etiqueta), fez questão de me avisar. You’ve gotta love Korean people!

Paguei minha comprinhas e voltei pra casa feliz da vida 🙂

 

O navio não afundou!

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Hi there, tudo bem?

Por aqui, não sei se rio ou se choro. Nossa tralha toda será entregue aqui em casa amanhã de manhã. Contagem regressiva para ficarmos atolados num mar de caixas. Contagem regressiva para a gente tentar se virar nos trinta para tentar colocar a Austrália dentro da Coréia – a proporção é mais ou menos esta da quantidade de coisas que estão vindo para o espaço que temos no apê. Boa sorte pra gente. Em especial pra mim que terei que fazer uma pausa nas artes pros anúncios e nos textos pros publieditoriais da edição de aniversário da Oca para trabalhar na diagramação do apê (o ofício aqui tá mais pra tétris, rs).

Mando notícias amanhã, ou pelo menos uma foto da situação, se energia me restar.

PS. E o alívio que eu senti na semana passada quando o navio aportou em Seoul? Não afundou!! Meus álbuns chegaram sãos e salvos \o/

O drama da Fada do Dente (que tá velha e cansada, rs) – da série: mentirinhas brancas

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Na quinta à noite, finalmente arranquei o outro dentinho do Nick, deixando o pequeno com o janelão superior bem aberto (lindo! sqn hahaha). Já tô contando os dias pros dentes cresceram logo porque, vamo combinar, eles curtem essa fase vampirinha (eu curti essa fase vampirinha), mas que eles ficam bem mais bonitinhos com os dentinhos todos, isso ficam, né? 🙂

Mas o ponto deste post é a tal da Fada dos Dentes.

Nickito tava to eufórico, dizendo que ia ficar rico, porque a Fada do Dente que esteve aqui noutro dia, ia voltar naquela noite. Até ia, né? Mas ela tava cansada, capotou 🙂

Na manhã seguinte, muito cedinho, antes do relógio despertar (ou seja, muito cedo mesmo!), ele acorda e vê o dente ali no mesmo lugar, debaixo do travesseiro. A decepção foi tamanha, que ele quase chorou.

Eu, ainda tonta, meio dormindo, meio acordada, respondi, ainda inconsciente: “Nick, você foi dormir muito tarde, já era quase meia-noite, lembra (tem sido um parto colocá-los para dormir neste acampamento em que vivemos)? A Fada não trabalha de madrugada. Faz assim: hoje, você vai dormir bem cedinho pra não ter erro, tá bom?”

Ele aceitou e se acalmou.

Na noite seguinte, de sexta para sábado, tratou de colocar todo mundo na cama cedo e ainda brigou comigo porque eram 9:30 e eu ainda ia tomar banho! Nem pude lavar meus cabelos, pode isso? Quando perguntei porque ele estava com tanta pressa de dormir, ele respondeu: “a fada não trabalha de madrugada, lembra?”. Ah, tah…

Mesmo quando já estávamos todos recolhidos, ele seguiu preocupado: “será que ela vai conseguir entrar em casa? A porta tem senha, não tem chave, então não tem como ficar aberta…”

“Nick, não se preocupe, a Fada do Dente é amiga do Elf, do Papai Noel… ela sabe muito bem como entrar.”

“Tá bom.”

E dormiu.

O problema é que a fada, coitada, também dormiu. Dormiu e acordou assustada no meio da madrugada, procurando no escuro umas moedas coreanas e como não encontrou, catou uma nota de 5 mil wons (5 dólares – inflacionando geral o mercado) e, ainda dormindo, trocou pelo dente de baixo do travesseiro.

Com medo que a Fada esquecesse novamente, o “Fado” acordou um tempo depois e já ia também catar moedas (bem que o Nickito disse que ficaria rico, rsrsr), quando a Fada interveio: “tá feito!” E voltaram a dormir.

Só que a noite foi longa. Foi um tal de neguinho mudar de lugar na cama, que o tal do dinheirinho sumiu.

Pela manhã, quando Nickito acordou e olhou de baixo do travesseiro e não encontrou dente nem moeda, entrou em pânico: “mamãe!!!”

Eu, ainda com os olhos fechados falei: “ah, procura direito aí, porque a Fada passou com certeza”.

E jogando travesseiros pro alto e sacudindo cobertas, eis que surge não a moeda, mas a nota de 5mil wons. “caramba!!!! muito dinheiro!”

Neste momento, Vivi que ainda estava meio tonto de sono, ficou bolado: “como assim?? Eu nunca ganhei 5 dólares no dente!” E após pensar um pouquinho, concluiu: “hmmm, deve ser porque ele perdeu dois dentes grades muito pertinho um do outro, né, mamãe?”

“É, meu filho, deve ser…”

Sabem o que eu fico imaginando? O que eles vão pensar/falar quando descobrirem  sobre a Fada, sobre o Coelhinho da Páscoa, sobre o Papai Noel e most importantly, sobre o Elf!!!!
Vão me achar a maior contadora de histórias do mundo, pra não dizer mentirosa! 😦 Porque, vamo combinar, né? eu não me contento em dizer que existem, eu crio enredos e levo às últimas consequências.


Aliás, tô com um problemão: Nickito que, notem, vai à escola cristã radical, anda dizendo que não acredita em Deus (se o Vivi se encrencou  na escola porque falou “oh my God”, não duvido que coloquem o Nick ajoelhado no milho, rs). Logo ele que adorava entrar em todas as Igrejas à procura do Papai do Céu. Logo ele que rezava tão bonitinho, pedindo pro Papai do Céu proteger todo mundo, agradecendo pelo dia… A gente tenta contornar, explicar, mas convenhamos, não é simples explicar o que é fé para uma criança (teimosa, rs) de 5 anos que até hoje não teve uma vida religiosa ativa. Espero que seja só uma fase, porque é muito fácil inventar historinhas sobre coisas que não existem, mas educação religiosa não é pra qualquer um e mesmo que eu e o marido tenhamos sido criados em colégios católicos, ainda assim não nos sentimos aptos a educá-los sobre Deus e, até por isso, preferimos que tivessem aulas de religião na escola. Tipo, não me entenda mal, conheço muito ateu que tem um coração muito maior do que outros tantos cristãos, mas ainda acredito que ter uma religião, acreditar em algo superior é extremamente benéfico ao ser humano, dada a complexidade do universo e as tantas coisas que a ciência não consegue explicar.

 

Rapidinha – Idade coreana

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Ah, gente, que que isso? Como assim “idade coreana”?

Que falta do que fazer! Aliás, a falta do que fazer foi da China que inventou essa história. A Coréia foi Maria vai com as outras e seguiu a loucura. Pior, seguiu com mais entusiasmo do que quem inventou. Aqui todo mundo tem duas idades, a coreana e a internacional.

A idade coreana funciona assim: você já nasce com um ano de vida e fica mais velho duas vezes no ano (a menos que seu aniversário seja dia primeiro de janeiro), no seu aniversário e no primeiro dia do ano novo. Ou seja, pessoas que, como eu, fazem aniversário no fim do ano, perdem um ano de vida em um mês, hahaha (riso nervoso).

Resumindo, hoje eu tô com 38, mas dia primeiro de janeiro estarei com 40. Durma com um barulho desse!

Vamos combinar que ninguém tem absolutamente nada a ganhar com isso?! Palhaçada. Eu hein!

Comprando um iMac em Seoul

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Acho que comentei aqui que a Coréia é o único país do mundo que boicota a Apple, né? Tipo, não só não existe loja física da Apple aqui, como comprar online é um parto: não aceitam cartão internacional e o pop-up que abre para ser preenchido não é traduzido pelo Google (aliás, aparentemente a Coréia também tem uma pinimba com o Google, porque o Google maps é uma porcaria aqui).

Hoje, estava eu posta em sossego, trabalhando no material para a quinta edição da Oca, quando, mais uma vez, meu computador deu pití, deu ataque de pelanca e, mesmo tendo voltado à vida, minutos depois, foi a gota d’água, eu realmente precisava de um computador novo. Gritei pro marido: não dá mais! Preciso do meu iMac!

E como meu maridinho é gente boa pra caramba e tem muito amor no coração, pôs-se a procurar uma loja física que vendesse produtos da Apple. É não é que o rapaz (tô dando uma força pra ele, rs, ele merece) encontrou uma loja bem pertinho daqui?

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Na mesma hora pegamos um taxi, saltamos em frente à loja, entramos, apontamos poro modelo que a gente queria, pagamos e levamos pra casa. Simples assim, descomplicado assim, indolor assim. Foi tão fácil que fiquei com voltade de voltar lá e comprar um iPad Pro, uma Apple pen, um iPhone 6s Plus e depois passar um ano inteiro faxinando a loja todos os dias para pagar a conta, rs.

Ah, como apesar de já termos conseguido abrir nossa conta aqui (nossa, não, do Mauricio, porque eu não existo, sou apenas uma sombra), não temos um tostão furado no banco coreano, toda nossa riqueza (cof cof cof) está na Austrália e portanto, cada vez que pagamos alguma coisa com o cartão australiano, ou sacamos dinheiro no caixa eletrônico, a facada é séria. ou seja, morremos numa grana extra após essa compra singela. Mas, fazer o quê? Já entregamos pra Deus. Entregamos tanto que eu não duvido nada que semana que vem a gente compre um carro, também com o dinheiro australiano. E depois disso, a gente reza pro mês passar bem rápido para que possamos ser reembolsados dos gastos com o processo de mudança.